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Havia caminhoneiros intervencionistas eleitores de Ciro Gomes, diz pesquisadora

Antropóloga e cientista social afirma que as preferências ideológicas dos caminhoneiros que defendiam intervenção militar eram bastante plurais

- Publicado no dia
(Foto: Reprodução / Veja)

Uma matéria do El País, publicada no último dia 6, trouxe à tona a pesquisa de uma cientista social e antropóloga da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que esteve reunida diretamente com um grupo de caminhoneiros grevistas. Ela concluiu que, como não eram sindicalizados, havia múltiplas reivindicações e “contradições” ideológicas – por exemplo, muitos defensores de uma intervenção militar se identificavam mais com o pré-candidato Ciro Gomes, do PDT. [1]

Rosana Pinheiro-Machado, em parceria com a colega Lucia Scalco, concluiu que os clamores por intervenção militar são um “pedido de socorro” de uma população descrente na democracia representativa. “Não é um pedido por uma nova ditadura, mas sim para parar com a roubalheira e dar rumo para um país desgovernado”, disse. Rosana acrescentou que a esquerda “tem o dever de defender os caminhoneiros, uma classe trabalhadora precarizada, independentemente de pedirem uma intervenção militar ou votarem no candidato ultraconservador Bolsonaro”, pois “não se escolhe trabalhador bom ou trabalhador ruim”.


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A referência a Ciro Gomes é mesmo o detalhe mais inusitado da entrevista. “As pessoas com quem eu falei eram a favor da intervenção militar e votavam no Ciro Gomes”, disse. “O movimento é diverso e as pessoas estão vivendo uma fase de muita contradição, sentindo as dores da crise e reivindicando bens públicos, pautas progressistas como educação e saúde universais, intervenção”. Ela pontuou que os manifestantes que pediam intervenção militar precisam ser compreendidos sem o “lugar comum da própria esquerda em acreditar que toda a população é fascista”.

A raiz desses anseios seria a percepção de que a democracia representativa brasileira estaria servindo apenas “aos que estão no topo”. Rosana frisou que a manifestação não tinha anticomunismo ou antipetismo, mas era “antipolítica”. “Inclusive, em um desses grupos havia uma liderança que foi contra o impeachment e era de esquerda”, asseverou.

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