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Coletivismo e corrupção são temas nos últimos paineis do Fórum da Liberdade

Paineis do último dia contaram com palestras de Sérgio Moro, Rodrigo Constantino, Antônio Di Pietro e até economista transgênero americana

- Publicado no dia

A terça-feira (10) marcou o segundo e último dia do tradicional Fórum da Liberdade, já em sua trigésima primeira edição, na PUCRS. O evento, que ontem teve uma discussão de abertura e um Encontro com Presidenciáveis, cujos detalhes o Boletim trouxe até o leitor, contou no seu desfecho com mais painéis sobre assuntos como politicamente correto, coletivismo e corrupção. Confira os principais destaques:

Primeiro painel do dia debate coletivismo e individualismo

(Foto: Divulgação / Fernando Conrado)

O painel inicial do dia promoveu um amplo debate sobre individualismo e coletivismo e os caminhos a serem percorridos para uma transformação na sociedade. Com o tema Agentes da Mudança, o painel contou com Anne Bradley, PhD em Economia e pesquisadora sênior do Acton Institute; Rodrigo Constantino, economista e colunista, e  Yaron Brook, presidente do Conselho de Administração do Ayn Rand Institute. A mediação ficou por conta da vice-presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), Giovana Stefani.

Anne Bradley falou da importância de não aguardar uma pessoa perfeita para liderar um governo e simplesmente escolher representantes como eles realmente são. Anne falou sobre a importância de uma sociedade colaborativa voluntária. “O aumento da renda em todas as classes econômicas é, na maioria das vezes, o sinal de uma economia vibrante, na qual ‘pessoas comuns’ são encorajadas a servir umas às outros e a resolver problemas”, afirmou. Bradley acredita que é preciso empoderar as pessoas para serem agentes da transformação e não ficar esperando o estado dizer o que deve ser feito. “O estado deve sair do caminho, pois muitas vezes é o impeditivo para o crescimento”, disse.

Rodrigo Constantino fez uma ampla análise sobre as características de uma sociedade coletivista e sobre o individualismo. “O coletivismo, que considero uma praga, torna as pessoas reféns de um grupo e tira sua liberdade”, afirmou. Constantino acredita que o individualismo, no qual pessoas tenham a liberdade de buscarem o que acreditam ser uma vida ideal, é o melhor caminho, porém, extremismos podem ser perigosos. “É louvável a ideia do egoísmo racional, mas de forma exacerbada e mal interpretada pode passar uma falsa impressão de que o indivíduo pode fazer o que quiser, quando quiser, e acaba por prejudicar o coletivo”. Encerrando sua participação, Constantino falou sobre a eleição de 2018: “Tenho o sonho de que um dia uma eleição não seja tão determinante na vida das pessoas. Isso só mostra uma hipertrofia estatal”, finalizou.

Já Yaron Brook defendeu uma mudança na abordagem sobre o verdadeiro papel do governo e uma revolução de ideias. “É preciso uma rejeição do coletivismo, rejeitar que um grupo de pessoas deve controlar o indivíduo”, afirmou. Para Brook, o individualismo significa ter o direito de viver a vida que se julga ideal, mas isso não quer dizer que não devemos nos preocupar com o próximo. “O coletivismo é fácil, é bom, deixa a pessoa confortável esperando que o estado cuide de seus problemas”, ironizou.

Segundo painel discute a polêmica do politicamente correto

(Foto: Divulgação / Fernando Conrado)

O editor do Spiked Online, Brendan O’Neill, a escritora, Lya Luft, e o jornalista Leandro Narloch se reuniram para debater o uso das palavras e o que é o politicamente incorreto. Os intelectuais defenderam a livre expressão como forma de diminuir os preconceitos.

Brendan O’Neill disse que o conceito do politicamente incorreto está espalhado em todos os âmbitos: entre os militares, no ambiente escolar, nas relações familiares, nas cidades, na imprensa. “Nos tornamos obcecados com as palavras”, disse, exemplificando uma situação em que militares escreveram ofensas aos terroristas em uma bomba. “A sociedade norte-americana pedia para que os militares lançassem as bombas, mas se revoltou com os termos politicamente incorretos das ofensas”, disse. “Tudo bem lançar bombas nas pessoas, mas não pode ofendê-las”, ironizou.

Ele aponta que o controle imposto sobre a linguagem acaba controlando o modo de pensar das pessoas. “O politicamente correto é uma forma de policiamento do pensamento”, disse, criticando a falta de tolerância da sociedade que quer punir a liberdade de expressão e de opinião. “Se não temos a liberdade de nos expressar, todas as outras liberdades somem”, afirmou. Já Lya falou sobre o uso e a forma das palavras. Em sua trajetória escreveu dezenas de romances, poesias e atuou como tradutora. Ela defende o livre uso das palavras e afirma que o uso excessivamente controlado das expressões fomenta a diferença e o preconceito. Luft pensa que as palavras não servem só para emocionar, mas também são instrumento de transformação de ideias.

Finalmente, Narloch falou sobre a liberdade de pensamento e disse que as pessoas têm o poder de mudar costumes e criar novos caminhos para a transformação dos padrões. “Quem censura a liberdade, em geral, somos nós mesmos”, disse, falando que a sociedade acaba cedendo ao discurso comum da imposição do politicamente correto. “Devemos falar todos os dias na frente do espelho: – eu sou livre para pensar”, sentenciou.


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A Lei: Operação Lava Jato e Operação Mãos Limpas

(Foto: Divulgação / Fernando Conrado)

O público lotou o auditório no painel intitulado “A Lei”, que teve a participação do juiz Sérgio Moro, do ex-promotor italiano Antonio Di Pietro e do professor de Ciência Política do IBMEC-MG, Adriano Gianturco. A mediação ficou sob a responsabilidade do presidente do IEE, Júlio Bratz Lamb. O momento estava entre os mais aguardados do Fórum da Liberdade.

Sérgio Moro foi aplaudido de pé e ovacionado pelo público que prestigiava o painel. De forma simples, agradeceu e foi direto ao ponto: a Operação Lava Jato. “A corrupção mina a confiança que o cidadão tem em seus agentes políticos”, disse. Falou que, apesar da democracia, não se deve achar que a corrupção é admissível e defendeu que as reformas deveriam ser mais amplas para que ela diminuísse. Questionado sobre a influência da opinião pública, Moro deixou claro que trabalhou baseado somente em provas: “O juiz não pode julgar de acordo com a opinião pública.”

Ressaltou ainda que tornar o processo público foi um ato realizado para que as pessoas pudessem avaliar e tirar suas próprias conclusões. Sobre a imprensa e a Internet, Moro vê a partir de dois pontos de vista. “É bom e ruim. Bom porque a informação pode chegar direta ao cidadão, sem os filtros de grandes imprensas. E o ruim são as fake news”, concluiu. Di Pietro disse que era um prazer ser recebido com tanto respeito, já que em seu país ele não é bem recebido nos lugares. Ressaltou que a sociedade deve trabalhar para que atitudes como a de Sérgio Moro não sejam a exceção. “Devemos construir uma sociedade onde não sejam necessárias palmas para um profissional que apenas está realizando o seu trabalho”, afirmou Di Pietro.

Compartilhou com o público a sua experiência no caso Mãos Limpas, operação semelhante à Lava Jato, que aconteceu na Itália. “Os magistrados que estavam trabalhando no caso foram mortos. Aqueles que tiveram a mesma sorte que eu (de ficarem vivos), foram processados. Não gostaria que a Lavo Jato terminasse como a Mãos Limpas”, disse. Deixou claro que o juiz da democracia é a informação e que a mesma precisa trabalhar com a veracidade. “Se as informações nascem de ideias erradas, elas serão repassadas erradas.” Para concluir, enfatizou que não é porque alguém fez a revolução que pode infringir a lei. “Nunca perguntei a quem estava na minha frente de que partido era. Perguntava o quanto roubava”, finalizou. Já Gianturco falou sobre as diferenças entre leis e legislações. Afirmou que não há legitimidade no Estado que cobra a obediência da lei, mas não cumpre a mesma. Apresentou dados econômicos para elucidar a afirmação de que o Brasil possui uma das economias mais fechadas do mundo. “Será que o Brasil tem boas leis e não são aplicadas? Não! O Brasil tem leis demais”, enfatizou.

Palestra especial encerra com reflexão sobre liberdade de escolha

(Foto: Reprodução / Denison University)

O Fórum da Liberdade encerrou sua 31ª edição com a palestra especial da economista Deirdre McCloskey. A norte-americana, PhD pela Universidade de Harvard, historiadora e escritora, é reconhecida por sua atuação nas áreas da economia de livre mercado, ética e defesa das pessoas transgêneros. O painel também foi mediado por Giovana Stefani.

Deirdre McCloskey, que vive em Chicago, cidade mais populosa do estado de Illinois, nos Estados Unidos, viu quatro dos últimos sete governadores serem condenados por corrupção. Ela acredita que a liberdade é o melhor caminho para o desenvolvimento das sociedades: “Um liberal é alguém que acredita no direito de dizer não. Você não pode dizer não ao estado, por isso, quanto maior o estado, menor será a sua liberdade”, afirmou. A palestrante acredita que é direito do cidadão dizer não a acordos ruins feitos por políticos, já que as consequências deles afetarão diretamente o cidadão.

McCloskey defendeu a ideia de que medidas para melhorar a vida das pessoas não partem do governo, mas sim das pessoas, que buscam inovar e encontram soluções que melhoram a economia. “Temos exemplos de economias, como a China e a Índia, que adotaram medidas liberais e cresceram muito mais que o Brasil”, afirmou. A palestrante comentou sobre políticas sociais aplicadas no Brasil, pontuando que têm seu papel importante, mas o emprego é a melhor política social para os pobres.

A economista encerrou sua participação respondendo como um país pode se tornar mais liberal e rico: “Com certeza não é através de uma constituição, uma papelada de leis. O que precisamos é uma grande transformação ética, mudança na opinião pública. Não tornar os brasileiros escravos do estado, mas os tornando educados, éticos e livres”, finalizou.

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