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Ataque a distribuidores de jornal católico em frente à PUC Rio tem precedentes

Em 1997, um grupo de estudantes distribuindo um jornal com ideias críticas ao movimento negro também foi hostilizado por alunos da PUC Rio; assunto chegou a ser abordado por Olavo de Carvalho

- Publicado no dia
(Foto: Reprodução / ACI Digital)

Um centro de estudos ligados a católicos denunciou na segunda-feira (19) que estudantes da PUC do Rio de Janeiro foram hostilizados e insultados na última sexta-feira (16) ao distribuir um jornal de viés conservador na proximidade da universidade. Desde então, o acontecimento foi repercutido pelo jornal O Globo e por diversos influenciadores do meio liberal, entre eles o jornalista Lucas Berlanza, colunista do Instituto Liberal. Não se trata, porém, do primeiro episódio do gênero cometido por alunos da universidade. [1] [2] [3]

Em relato ao Instituto Liberal, o estudante Darwin Schmidt – um dos que distribuíam gratuitamente a edição de O Universitário, cuja publicação foi viabilizada via crowdfunding –  explicou que, antes da confusão, ele e seus companheiros chegaram a atender uma solicitação não-oficial para se afastarem um pouco mais do portão da universidade para evitar confusão. A iniciativa, porém, não surtiu efeito, dando sequência a uma série de ataques verbais, com jornais rasgados e a necessidade de interferência dos seguranças da PUC.

“Meu amigo, Jonathan, apesar de não ter sido fisicamente agredido, foi o mais atacado e intimidado, paradoxalmente, por ser negro”, denunciou Darwin. “Um aluno gritava-lhe, com o dedo rijo na cara dele, ‘Como você pode ser negro e defender o Bolsonaro?’, ‘Você é preto’, ‘Você é responsável pelo genocídio dos negros também’. (…) Chamaram-no até de capitão do mato, num racismo bastante explícito.”

O incentivo de um professor?

O Centro Dom Bosco, organização católica que denunciou o ocorrido e que edita o jornal, também acusou que a iniciativa foi fomentada por um dos docentes da universidade. Segundo a entidade, o professor incitava os alunos a impedirem a circulação do periódico por, supostamente, a publicação conter “mensagens de opressão”.

Após o ocorrido, teria elogiado os alunos que agiram para cercear a iniciativa: “Eu gostaria de parabenizar os rapazes e moças que impediram a propaganda e a entrada dessas ideias na universidade, em um momento tão grave quanto o que vivemos” e que “combater ideias fascistas é a maior expressão de amor à democracia que existe”. [4]


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O jornal

O jornal O Universitário teve sua primeira edição lançada neste mês. O jornal pode ser lido online gratuitamente. Em sua primeira edição, trouxe uma entrevista com a ex-jogadora de vôlei, Ana Paula Henkel, atualmente colunista do jornal O Estado de S. Paulo. Na entrevista, ela comentou, a polêmica de jogadores transgêneros querendo atuar no esporte feminino. [5]

O jornal também expôs com destaque na página inicial uma nota que apontou que “Jair Bolsonaro parece ser o favorito para 2018”, elencando algumas razões que sugerem que o parlamentar é um forte candidato à presidência. A publicação também expôs uma entrevista com o filósofo Olavo de Carvalho sobre a penetração do comunismo nas universidades, um artigo de Bernardo Pires Küster sobre a ligação entre comunismo e corrupção e outro do intelectual católico Carlos Nougè em uma crítica ao materialismo.

Precedentes de cerceamento à liberdade por alunos da PUC

Outro a levantar a voz contra o que aconteceu nas proximidades da PUC foi Pedro Sette-Câmara. “Tomem medidas legais contra a PUC. Eu já tomei. Com sucesso”, sugeriu. Em 1997, Sette-Câmara, ainda como estudante da PUC-Rio, foi um dos fundadores do jornal O Indivíduo, quando viveu uma situação semelhante à dos jovens que divulgaram o jornal do Centro Dom Bosco. O caso é relatado no segundo volume do livro “O Imbecil Coletivo”, escrito por Olavo de Carvalho. [6]

Na obra, Olavo explica que Pedro e seus colegas estavam distribuindo exemplares do jornal “quando foram cercados por uma centena de militantes encolerizados que, desfechando tapas e cuspidas nos seus rostos, juravam surrá-los e depois passaram a queimar exemplares da publicação, saltando alegremente em volta da fogueira como selvagens em festa, alguns ameaçando, aos gritos, juntar à papelada em chamas os corpos dos editores”. A principal acusação era de racismo nos textos publicados. Olavo, que leu o jornal, alegou que não havia nada além de críticas ao movimento negro no conteúdo.

Ainda segundo Olavo, “a reitoria da PUC, em vez de punir os agressores, castigou as vítimas, apreendendo os exemplares restantes do seu jornal”. Olavo também publicou que o reitor Jesus Hortal “distribuiu uma circular” em que “atiçava contra os três meninos a suspeita e o ódio de toda a comunidade universitária e dos familiares de alunos”.

O Centro Dom Bosco

No centro da polêmica, o editor de O Universitário é o Centro Dom Bosco, uma organização que visa difundir o pensamento católico. Em seu site, a entidade afirma ter o propósito de atuar em duas frentes: “oferecer formação intelectual católica a partir dos grandes mestres e Doutores da Igreja e incentivar uma vida de piedade, oração e entrega a Deus”, partindo do princípio de que “fé e razão não se contradizem, mas se complementam”. No passado, o Centro Dom Bosco chegou, porém, a questionar a liberdade de expressão do grupo de humor “Porta dos Fundos” devido a sátiras ao vídeo “Céu Católico”. [7]

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