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‘O capitalismo é o único sistema que nos permite dignidade enquanto indivíduos gays’, diz fundador do Gays Liberais

Natural de Recife, em Pernambuco, Felipe Santos fundou o site ‘Gays Liberais’, onde defende posicionamentos pró-liberdade e critica discursos e atitudes de movimentos e lideranças ligadas ao movimento LGBT

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Felipe Santos criou o site Gays Liberais (Foto: Reprodução/Facebook)

A orientação sexual de um indivíduo não pode definir sua ideologia política. A ideia, porém, que é óbvia, vem frequentemente sido confrontada com a retórica de autoafirmação de certas correntes políticas. Felipe Santos, de 25 anos, decidiu confrontar esse movimento.

Ele fundou o site Gays Liberais, onde traz, com outros autores, artigos e abordagens diferenciadas acerca dos direitos e da liberdade dos homossexuais. Em comum, a defesa do individualismo, o discurso crítico a muitos posicionamentos do movimento LGBT e a defesa do livre mercado.

Nesta entrevista exclusiva concedida por Santos ao Boletim da Liberdade, ele fala sobre assuntos como homofobia, o assim chamado “movimento gayzista”, o crescimento dos conservadores e dos evangélicos na política, a polêmica em torno da cura gay e sobre como conheceu as ideias da liberdade. Confira:

Boletim da Liberdade: O que é e como surgiu o projeto “Gays Liberais”?

Felipe Santos: Após os protestos de junho de 2013, que eclodiram em todo o país evidenciando a insatisfação de muitos brasileiros com a classe política, eu, como um alguém de periferia, senti que aquela ausência inquietante de identificação com o espectro direita-esquerda até então vigente, mas ainda não muito bem definidos naquela época, pra mim não faria tanto sentido mais.

Após quase dois anos acompanhando os desfechos políticos via redes sociais, percebi as ideias de um economista do sudeste sobre algo até então desconhecido pra mim: o liberalismo político. Ele defendia com tanta propriedade de causa a filosofia do indivíduo em primeiro lugar que não teve mais volta. Era o Rodrigo Constantino.

Foi a ideologia socialista, em seu viés mais progressista, que comprou como conveniência o movimento LGBT, o tratando como minoria, um grupo especial a ser priorizado em políticas sociais, posteriormente o vitimizando e, em suma, o tornando massa de manobra.

A partir disso, visei a oportunidade de alinhar tal filosofia a algo que sempre busquei distanciamento: o desvinculo da minha orientação sexual– algo que considero bastante pessoal – como algo a militar proposto pelo movimento LGBT. Veio a ideia do blog O Gay Liberal em que eu tecia críticas ao pensamento lgbtista em vista de distinguir de modo didático o que é ser um indivíduo homossexual de um coletivo que em seu âmago propõe falar pelos outros.

Fiz isso baseando-se na máxima da autora liberal Ayn Rand quando enfatizou que “a menor minoria na terra é o indivíduo”. Há aproximadamente um ano, trouxe os “Gays Liberais (GLS)” após uma identificação de muitos seguidores da página “Gays Liberais” no Facebook (criada novamente após censura da rede social) e, recentemente, o site www.gaysliberais.com em que também coopera o escritor paulista Gabriel Perazzo.


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Boletim da Liberdade: Por que muitas pautas relacionadas aos direitos dos homossexuais ficaram, ao longo do tempo, associadas à esquerda socialista?

O deputado federal Jean Wyllis, em ensaio para uma revista, veste-se de Che Guevara, que perseguiu homossexuais. Embora ativista LGBT, Wyllis é, assim como Guevara, comunista. (Foto: Divulgação)

Felipe Santos: Tal associação é histórica e, até certo ponto, inteligível. Numa época em que homossexuais eram tidos como algo anormal diante dos olhos da esmagadora maioria, a unificação de agentes e a formação de grupos dispostos a minimizar e a enfrentar a violência em função da nossa sexualidade é algo totalmente aceitável.

Lá no século 20, o movimento LGBT, assim como o feminista de primeira onda, foram importantíssimos para assegurar os direitos universais: casamento entre indivíduos do mesmo sexo, equiparação no direito previdenciário, adoção, entre muitas outras garantias básicas.

Foi a ideologia socialista, em seu viés mais progressista, que comprou como conveniência o movimento LGBT, o tratando como minoria, um grupo especial a ser priorizado em políticas sociais, posteriormente o vitimizando e, em suma, o tornando massa de manobra.

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No entanto, adeptos desse movimento preferem deixar de lado a história. Isto é: essas mesmas ideologias foram as mesmas que os assassinaram. O escritor cubano Reinaldo Arenas, por exemplo, foi um homossexual apoiador do regime socialista em Cuba e acabou sendo perseguido, torturado, preso e teve que fugir para os Estados Unidos somente por ser gay. Na própria URSS e na China de Mao, ditaduras socialistas perseguiram homossexuais.

Até hoje, o socialismo de Maduro não permite sequer o casamento entre iguais. Isso só prova que o capitalismo é o único que nos permite dignidade enquanto indivíduos gays, lésbicas e transexuais e, acima de tudo, enquanto humanos.

Até hoje, o socialismo de Maduro não permite sequer o casamento entre iguais. Isso só prova que o capitalismo é o único que nos permite dignidade enquanto indivíduos gays, lésbicas e transexuais e, acima de tudo, enquanto humanos.

Boletim da Liberdade: Qual é o seu posicionamento em relação ao movimento LGBT?

Felipe Santos: Como nos dias de hoje o movimento LGBT destoa totalmente das liberdades individuais, uma vez que coletiviza indivíduos em prol do benefício de partidos políticos, o Gays Liberais traz antagonismo [ao movimento LGBT] e esta oposição é tida erroneamente como pensamento de direita.

Faço questão de pejorativizar (sic) as pautas de cotas para trans, bem como banheiros específicos para estes(as), como também a ideia não científica de que indivíduos nascidos com determinado sexo pertencem ao sexo oposto e merecem prerrogativas especiais. Por esse e outros inúmeros motivos, faz-se necessário observar a militância de modo jocoso, pois perderam-se no que diz respeito ao enfrentamento do preconceito e a manutenção de direitos outrora garantidos, uma vez que preferem o pateticismo da “visibilidade”.

Protesto contra a homofobia em São Paulo pelo movimento LGBT (Nelson Antoine/Fotoarena/Estadão Conteúdo)

Boletim da Liberdade: Qual é a sua opinião sobre a possibilidade de se criar um projeto de lei que criminalize a homofobia?

Felipe Santos: Acredito que quando George Weinberg criou a “homofobia”, ele não imaginou as proporções que o termo tomaria. No meu ponto de vista, é um termo inválido, mas tem forte adesão publicitária. Ninguém tem medo de gay e nunca vi ninguém correndo de um. O que existe, de fato, é o ódio em função da orientação sexual e da transgeneridade do outro. Isto é repugnante quando externalizado.

O fato do movimento LGBT brasileiro e sua bancada política não conseguir o apoio da maioria para um projeto de lei que encarcere quem mata em função disso vem da falta de representatividade. O PL 122/06, bem como o recente Estatuto da Diversidade Sexual, por exemplo, são uma piada como um todo. São patéticos. Eles não propõem igualdade, mas privilégios e consistem numa grave ameaça à liberdade de expressão. Sim, sou a favor de uma lei que prenda quem cometa crimes do tipo, mas primeiro [sou a favor do direito] o porte de armas.

O PL 122/06, bem como o recente Estatuto da Diversidade Sexual, por exemplo, são uma piada como um todo. São patéticos. Eles não propõem igualdade, mas privilégios e consistem numa grave ameaça à liberdade de expressão.

Boletim da Liberdade: No blog “Gays Liberais”, há um artigo onde você defende defende o direito de se ofertar no mercado a assim chamada “cura gay”, embora haja manifesta descrença em relação a eficácia desse tratamento. Você pode nos explicar esse posicionamento?

Felipe Santos: O mesmo movimento favorável a liberdade de mutilar genitálias para maior assimilação com o sexo oposto e, inclusive, defender o “direito” de uma criança realizar tratamentos hormonais é o mesmo que não aceita que um indivíduo com condição egodistônica não procure tratamento por sentir-se desconfortável com sua orientação sexual. Que tipo de liberdade é essa?

Certamente, o termo “cura gay” é inválido, pois profissionais de saúde que vão na contramão do aparelhamento do Conselho Federal de Psicologia (CFP) não defendem cura nenhuma, mas auxílio aos seus pacientes no que diz respeito a entender sua homo ou bissexualidade. O que é um terceiro para opinar o que julgo ser o melhor para mim? Particularmente, não acredito numa reversão, mas defendo até o fim o desejo de quem não se sente bem como gay, lésbica ou trans a buscar ajuda psicológica. E esta oferta só existe porque existe demanda e estes dois pontos estão inseridos numa economia de livre mercado.

Particularmente, não acredito numa reversão [de orientação sexual], mas defendo até o fim o desejo de quem não se sente bem como gay, lésbica ou trans a buscar ajuda psicológica. E esta oferta só existe porque existe demanda e estes dois pontos estão inseridos numa economia de livre mercado.

Boletim da Liberdade: No debate político, não é tão comum pessoas serem abertamente homofóbicas, mas muitas reiteradamente apresentam críticas ao que chamam de “gayzismo”, ensino da “ideologia de gênero” e até mesmo ensino sobre tolerância à diversidade sexual nas escolas. Qual é o seu posicionamento a respeito desses temas?

Felipe Santos: Dada a invalidade do termo “homofobia”, pois quem automaticamente se posiciona contra qualquer pauta lgbtista é taxado de homofóbico no debate político, o gayzismo se apresenta em sua forma totalitária excluindo até mesmo quem é homo, bi e trans quando apresentam-se como ideias liberais ou conservadoras.

É a exacerbação de um ativismo extremista que culminou na adoção das teorias de gênero advindas do radical feminismo a partir dos anos 50, com John Money ignorando os anos de avanços científicos no campo da genética e o bom senso das convenções sociais vigentes quando pregando que ninguém nasce mulher ou homem, mas que convém, segundo eles, construir a própria identidade.

O pior: trazem isso para o ensino público com o apoio estatal. Imagine você, pagador de altos impostos, patrocinando shows de drag queens para pré-adolescentes, cartilhas e vídeos com alto apelo sexual. Pois bem, é que o acontece. Essa é a ideologia de gênero que diverge do ensino à tolerância, ao respeito, a cidadania.


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Boletim da Liberdade: Nos últimos dez anos, o movimento liberal cresceu significativamente no Brasil, em grande medida estimulado pela popularização de autores e correntes mais libertárias. Mais recentemente, no entanto, algumas correntes, movimentos e influenciadores do movimento liberal brasileiro se aproximaram de outros movimentos mais conservadores, frequentemente menos simpáticos à igualdade de direitos. Como você enxerga isso?

Felipe Santos: Numa visão pessoal, acredito que os conservadores se apropriaram das ideias liberais nos últimos anos de ascensão das ideário liberal e libertário, adotando o tal “conservador-liberal”, isto é, liberal na economia e conservador nos costumes.

Uma vez que a direita sempre alinhada ao protecionismo estatal visou um crescimento exponencial da real liberdade capitalista, visou-se uma oportunidade. A coexistência é válida desde que desvincule-se Igreja-Estado e substituam por propriedade privada, liberdade econômica e individualismo. Não pode ser só discurso bom de se ouvir.

No Brasil, crescem a quantidade de núcleos familiares formados por homossexuais. (Foto: Guia/Florianópolis)

Boletim da Liberdade: Falando ainda sobre o crescimento do conservadorismo no Brasil, um dos argumentos que mais ganhou força com ele é de que está em jogo no Brasil uma revolução cultural marxista, inspirada pelas ideias do italiano Antonio Gramsci. Para funcionar, o “marxismo cultural” teria como estratégia, além da influência no mundo acadêmico, a necessidade de desconstruir a família tradicional, geralmente compreendida como surgida de uma relação heterossexual. Você acredita nisso? Causa alguma preocupação o discurso “em defesa da família”?

Felipe Santos: Ao passo em que se considera a família tradicional como um dos componentes mais importantes do estado brasileiro, há também novos modelos de famílias. É uma realidade. Isto não significa alinhamento com o pensamento da Escola de Frankfurt. Há casais homossexuais que têm ou pretendem ter sua família sem pender para ao ativismo socialista.

Eles (os casais homossexuais) só querem viver normalmente com as garantias inerentes a qualquer outro casal, pois contribuem e muito como pagadores de impostos. Já o marxismo cultural em si tem um proposta de destruição silenciosa das convenções. É nítido seus efeitos na sociedade civil quando, por exemplo, a justiça brasileira autoriza, sem o consentimento do pai, um garoto de 12 anos barrar a puberdade ou tirar dos pais o poder de castigar fisicamente.

Ao passo em que se considera a família tradicional como um dos componentes mais importantes do estado brasileiro, há também novos modelos de famílias. É uma realidade. Isto não significa alinhamento com o pensamento da Escola de Frankfurt. Há casais homossexuais que têm ou pretendem ter sua família sem pender para ao ativismo socialista.

Boletim da Liberdade: Das forças políticas em ascensão no Brasil próximas ao conservadorismo ideológico, estão os evangélicos – que são bastante articulados politicamente. De um lado, alguns discursos de determinadas denominações evangélicas corroboram pautas liberais, como estímulo ao empreendedorismo, trabalho e ao enriquecimento. Por outro, existem denominações que frequentemente insistem em um discurso enérgico e condenatório à homossexualidade. Em que medida a liberdade religiosa pode se tornar uma ameaça para a liberdade individual e a igualdade de direitos dos homossexuais?

Felipe Santos: A consideração da liberdade religiosa como ameaça aos direitos civis pode vir de um sentimento fundamentalista religioso vigorante em outros países, ou mesmo do passado, em que se perseguia gays e lésbicas. No Brasil, homossexuais, bissexuais e trans não presenciam este medo e não vejo motivo nenhum para preocupação. Havendo o mínimo de respeito pelo outro, acredito ser o interessante para a convivência e acredito também ser o cerne das religiões como um todo.


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Boletim da Liberdade: 2018 é ano de eleição. Como um gay liberal deveria votar? Existem pautas, e caso positivo, quais, que um homossexual que se identifica com as ideias da liberdade poderia ficar atento?

Felipe Santos: Primeiramente, é preciso deixar de lado aquela vontade louca de cultuar o político de estimação e optar por quem menos irá atrapalhar nossas vidas quando eleito. Isto, automaticamente, exclui todo o conjunto esquerdo-progressista. No mais, faz-se interessante pesquisar as propostas de um político favorável a liberdade e que faça o possível pela educação, segurança e saúde. O resto pode deixar com a iniciativa privada.

É preciso deixar de lado aquela vontade louca de cultuar o político de estimação e optar por quem menos irá atrapalhar nossas vidas quando eleito.

Boletim da Liberdade: Muito obrigado pela entrevista e, por fim, gostaríamos de saber quais são os projetos e objetivos do “Gays Liberais” para esse ano.

Felipe Santos: Eu que agradeço ao Boletim pela abertura do espaço para ideias liberais pouco presentes na grande mídia. Quantos aos objetivos, almejo com o Gays Liberais o desvinculo total do indivíduo homossexual e transgênero do movimento LGBT. Ou seja: mais individualismo. Também alimentar o site www.gaysliberais.com e, talvez, um livro até o final do ano.

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