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Bloco ‘Porão do Dops’ sofre investida do Ministério Público e membro é agredido

Bloco carnavalesco que referencia unidade de repressão da época militar conseguiu autorização para se apresentar; jovem membro denunciou agressão

- Publicado no dia
(Foto: Divulgação / Facebook)

A história começa com uma inusitada ideia para um bloco de Carnaval e culmina com um membro agredido. Como termina, só se saberá no próximo dia 10, para quando está prometido o desfile do “Porão do Dops” (referência ao Departamento de Ordem Política e Social, que vigorou principalmente no Estado Novo de Getúlio Vargas e no regime militar dos anos 60 e 70), que faz sua estreia no Carnaval de São Paulo.

O evento, organizado por integrantes do grupo Direita São Paulo, apresenta em seu material de divulgação a imagem de Carlos Alberto Brilhante Ustra, elogiado pelo deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e um dos nomes comumente associados à repressão no regime militar. A programação é que o bloco comece a partir das 14h, ainda sem local definido, mas ele quase não aconteceu. Isso porque os promotores de Justiça Beatriz Fonseca e Eduardo Valério entraram com uma ação civil pública contra os responsáveis pelo bloco alegando apologia à tortura. O pedido foi negado nesta segunda (5) pela juíza Daniela Pazzeto Meneghine Conceição. [1]


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O que disse a juíza

A magistrada afirmou que “a utilização da censura prévia como meio de coibir a manifestação de pensamento não se coaduna com o estado democrático de direito”. Disse ainda que personalidades como Ustra não foram reconhecidas oficialmente como autoras de crimes, em razão da Lei da Anistia. “O Poder Judiciário não tem, em regra, esse poder censório prévio de limitar e de suprimir o direito fundamental da liberdade de expressão e da liberdade de pensamento, conforme busca o MP”, ressaltou, dizendo que a única exceção é a divulgação do nazismo.

“No mais, a apresentação do bloco se dará nos dias de carnaval, em que a manifestação popular se dá por meio de atividades artísticas que comumente são baseadas em fatos históricos do Brasil e do Mundo, tal como vem ocorrendo nos últimos cinco anos com apresentação do ‘Bloco Soviético’, mesmo porque muitas vezes as manifestações assumem até caráter jocoso e até crítico do período a que se visa retratar”, sustentou. [2]

(Foto: Divulgação / Facebook)

Violência

Um dos membros do bloco e também do grupo Direita São Paulo, o jovem azulejista Jonas, logo após a decisão judicial autorizando a apresentação do bloco, denunciou uma agressão enquanto se dirigia a uma palestra sobre o regime militar organizada pelo grupo e realizada por Antonio da Silva Ortega. O grupo gravou um vídeo com Jonas, afirmando que a agressão não os intimidará.

O fundador do bloco também se manifestou a respeito em seu perfil no Facebook:

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