“Grande problema do Brasil é a questão ideológica”, diz Bene Barbosa em conversa com João Doria

O prefeito demonstrou seu incômodo pessoal com a questão do porte de armas, mas deixou que Bene falasse bastante sobre segurança pública em geral

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Especialista em Segurança Pública e conhecido por sua defesa constante do porte de armas, Bene Barbosa havia feito críticas ao posicionamento do prefeito de São Paulo, João Doria. O prefeito não apenas demonstrou algumas vezes sua aversão às armas, como também divulgou este mês uma parceria da Prefeitura com a ONG desarmamentista Instituto Sou da Paz para uma campanha pela entrega voluntária de armamento. Nesta quinta-feira, 30, Bene participou do programa “Olho no Olho”, apresentado pelo próprio prefeito.

A expectativa pelo encontro era grande, não apenas pelas críticas em si, mas também porque Bene se manifestou em defesa de Alexandre Borges, questionado por Eduardo Bolsonaro a partir de sua fotografia com João Doria, procurando demonstrar propriedade e isenção nos argumentos ao lembrar de suas contestações prévias ao político tucano. Também havia expectativas por conta da retrospectiva: Bene é reconhecido pelo seu público por performances articuladas e combativas em debates.

A conversa

Apesar das diferenças entre os interlocutores, o que se viu foi uma conversa bastante técnica sobre questões relacionadas à segurança pública, sendo o desarmamento apenas uma delas, sem elevar a temperatura em momento algum. Doria começou dizendo que realmente não gosta de armas e educou seus filhos para não gostarem, inclusive não permitindo que tivessem revólveres de brinquedo. “Não condeno as pessoas que têm legalmente esta opção e adotam esta opção, repito, dentro da legalidade”.

Antes de responder, Bene frisou bastante que o grande problema na área de segurança pública é a contaminação ideológica. “A segurança pública começa a ser baseada em preceitos puramente ideológicos”, como “cadeia não resolve” ou “mais escolas, menos presídio”. Também criticou com muita veemência a tese de que a criminalidade se origina na pobreza, afirmando, com a concordância de Doria, que o pobre tem por vezes o espírito empreendedor e a criminalidade é questão de escolha.

Quando enfim começou a falar sobre o desarmamento, Bene comentou as distorções dos institutos nas pesquisas sobre a opinião pública acerca do assunto e a vitória no famoso referendo de 2005, com um número de votos maior que o de qualquer candidato em eleições presidenciais. “Tirar o direito das pessoas nunca é bom, restringir a liberdade das pessoas de uma forma absolutamente e arbitrariamente autoritária como estava sendo feito, de maneira impositiva, sem discussão real, não era nunca uma boa opção”, declarou.

Bene argumentou ainda que, em vez de retirar esse direito das pessoas, o governo deveria oferecer um nível de segurança pública de qualidade, a fim de que o povo sequer sentisse a necessidade de portar armas. Como sempre faz, ele usou exemplos internacionais, de países com mais flexibilidade no porte e menores índices de homicídio. Mencionou também a política varguista – e Doria pontuou que Vargas foi um ditador -, que promoveu o desarmamento para aumentar o poder político central, e divulgou seu livro escrito em parceria com Flavio Quintela, Mentiram para mim sobre o desarmamento.

Questões como o uso de câmeras de monitoramento, a federalização das polícias (Bene e Doria são ambos contrários) e o emprego de drones e outras tecnologias, foram abordadas, bem como a ideia da condenação absoluta da reação a assaltos. Doria não quis entrar em confronto e formulou a maioria de seus comentários para corroborar as posições de Bene com que concordava. Confira o vídeo:

 

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