A CNBB e a obsessão pela pobreza - Colunas - Boletim da Liberdade

A CNBB e a obsessão pela pobreza

29.03.2019 09:29

Em recente nota publicada ontem (28/03), a entidade católica Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) criticou o projeto de reforma da previdência encaminhada ao Congresso por “sacrificar os mais pobres e penalizar os trabalhadores rurais”. Esta atitude da CNBB não é nova, tendo em vista que em 2016 a referida entidade já havia condenado a PEC do Teto de gastos e a Reforma Trabalhista, aprovadas do Michel Temer. No governo da presidência de Dilma Rousseff, esta se levantara fortemente contrária ao projeto de redução da maioridade penal.

Muito se levanta dúvidas sobre a honestidade de tais apelos éticos e humanitários de nossas lideranças católicas, historicamente alinhadas ao progressismo de esquerda. Jamais esperaremos ver da CNBB, por exemplo, críticas ao regime socialista venezuelano, com a devida publicação de notas de repúdio à queima de caminhões de ajuda humanitária pelo exército venezuelano por “sacrificar os mais pobres”. A mesma CNBB, hoje de olhos fechados à miséria social venezuelana, que no passado grande notoriedade alcançou realizando cruzadas contra a fome, o desemprego, o neoliberalismo, o desmatamento e as privatizações nos anos 90 de FHC. 

De onde vem esta mentalidade? Na verdade, a Igreja Católica brasileira e de toda a América Latina, abandonando a partir os anos 60 e 70 todo o seu entendimento tradicional de condenações aos regimes de natureza comunista, se abriu de forma crescente a influências marxistas do clero. Sob a influência de figuras como Frei Gustavo Gutiérrez, Leonardo Boff e Frei Betto (estes dois últimos os gurus espirituais do então líder sindical Lula) seria desenvolvida um novo entendimento doutrinal, baseado na lógica de luta de classes, de que a pobreza do pobre é causada pela riqueza do rico. A antiga concepção de justiça social católica, baseada nas noções clássicas de virtudes éticas aristotélicas, se reverteriam nos conceitos revolucionários de luta contra o capital, nivelamento social de pobres e ricos e condenação da propriedade privada. Esta releitura marxista ganharia o nome de Teologia da Libertação

Os principais fatores que contribuíram o avanço marxista sobre o catolicismo latinoamericano são vários. De fato, houve elementos prévios na doutrina e cultura católica que possibilitaram o desenvolvimento de uma Teologia alinhada ao marxismo, que não seriam encontrados em igrejas protestantes. Entre esses elementos estão a histórica hostilidade cultural católica pelo lucro e usura, bem como a valorização doutrinal de um sistema de organização econômica centrado em corporações sindicais,

Somados a estes fatores doutrinais e culturais internos, não podemos deixar de mencionar os vetores de influência externa que atuaram na introdução do marxismo a estrutura eclesiástica destes países. Devemos destacar o papel e atuação da própria União Soviética que, em um contexto de lógica de Guerra Fria e embate ideológico contra os países capitalistas, buscou disseminar elementos revolucionários na estrutura social de países do Terceiro Mundo, de modo a capitalizar o apoio destes países para si. É o que relata o ex-general do serviço secreto romeno Mihai Pacepa, como bem documentado em seu livro Desinformação.

Precisamos tratar a ideologização marxista da Igreja Católica brasileira como um tema sério e de interesse aos liberais e conservadores brasileiros, sejam estes católicos ou não. É a Igreja Católica brasileira, com o seu aparato educacional e poder de influência e pressão na sociedade civil, uma das principais responsáveis pelo estado presente da cultura brasileira, bem como o ambiente político e social que vivemos. Entender as mudanças vividas dentro do catolicismo brasileiro nas últimas décadas é entender as transformações da sociedade brasileira nesse período.

Foi a Igreja Católica e a Teologia da Libertação a grande responsável pela formação e mobilização dos movimentos sindicais do ABC, que culminaram na formação do sindicalismo da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Partido dos Trabalhadores (PT). Foi também a responsável pela formação das Pastorais da Terra, que culminaram na formação do Movimento dos Sem Terra (MST). Foi também uma das primeiras promotoras da romantização dos  encarcerados e dos menores de rua que, em nome da defesa dos “direitos da criança e do adolescente”, e das constantes defesas ao garantismo judiciário e do desarmamento e de críticas à redução da maioridade penal, atuaram na impunidade judicial e avanço do crime urbano.

Precisamos entender que o pobre tão idealizado pela CNBB, como na recente nota contra a reforma da previdência, em nada se assemelha à realidade do homem pobre trabalhador e pagador de impostos, estangulado em um regime de previdência, que muito provavelmente quebrará em algumas décadas e será incapaz de fornecer os rendimentos de aposentadoria necessários no futuro.

Precisamos entender também que o pobre idealizado da CNBB nas pastorais da Terra e MST não é o homem desapegado de bens terrenos e revestido das virtudes católicas de caridade, fé e esperança por uma salvação espiritual, mas sim apegado a um pleno rancor e inveja terrena pelos mais ricos. Não se trata do homem humilde de coração que come o pão com o suor do próprio rosto, mas do justiceiro social orgulhoso que demanda imprudentemente ao estado todos os direitos sociais para si, às custas do trabalho alheio. Em suma, não é o pobre trabalhador envolvido na rotina econômica intensa do dia a dia, mas o militante ocioso que faz acampamentos por Lula Livre.

Do mesmo modo, o homem à margem da lei, idealizado e defendido pela CNBB como oprimido pelo sistema penal, nem sempre pode ser visto necessariamente como o bom ladrão arrependido que reconhece sua miséria interior diante de Cristo crucificado. O oprimido pelo qual a CNBB idealiza é o lumpenproletariado, muitas vezes destituído de sentimentos morais e imbuídos de ressentimento e de amor à desordem e destruição social. É o traficante amoral e o criminoso menor de idade, que destroem vidas e famílias em nome de sua calculista ambição de lucro e extorsão. São estes grupos, em sacrifício do restante da população humilde e trabalhadora, que a CNBB detém opção preferencial e busca santificar.

Os supostos santos e mártires da pobreza supostamente defendidos e exaltados pela CNBB são caricaturais, assim como a CNBB é uma caricatura da verdadeira ética cristã. É preciso urgentemente um verdadeiro resgate de valores espirituais e padrões éticos genuínos, de modo que novas referências de santidade e virtude possam serem emuladas e inspiradas pela população. Padrões éticos menos centrados na pobreza e no crime como martírio.


Fontes:

1 – https://www.valor.com.br/reformadaprevidencia/6187237/cnbb-reforma-da-previdencia-de-bolsonaro-sacrifica-os-mais-pobres

2 – https://www.acidigital.com/noticias/ex-espiao-da-uniao-sovietica-nos-criamos-a-teologia-da-libertacao-28919

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