Desemprego ensaia lenta recuperação para 2019 - Colunas - Boletim da Liberdade

Desemprego ensaia lenta recuperação para 2019

01.02.2019 07:45

Saiu ontem os dados trimestrais de desemprego do IBGE. O quarto trimestre de 2018 encerrou-se com uma taxa de desemprego de 11,6%, mantendo-se praticamente estagnado em relação ao mesmo período de 2017 (11,8%). Esta tendência de estagnação pode ser notada no gráfico abaixo. O desemprego brasileiro, um dos legados desastrosos da Nova Matriz Econômica implementada nos governos Lula e Dilma entre os anos 2009-2014, vinha observando trajetória explosiva entre 2015, ano de entrada na crise econômica, até o ano de saída da crise em 2017, quando desde então ensaia uma recuperação tímida.

Para analistas, espera-se que esta tímida recuperação ainda deva persistir neste ano. Para o final de 2019, estima-se que o desemprego mantenha uma trajetória de lento declínio para até 11,3%, segundo projeções do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV IBRE). O principal motivo para esse lento declínio de desocupados para 2019 está no forte aumento esperado do então denominado “exército de desalentados”. Os desalentados consistem em trabalhadores de baixa qualificação e produtividade que haviam desistido de procurar vaga de emprego durante o auge da crise, e que agora reingressam ao mercado de trabalho à procura de vagas, diante de um cenário de atividade menos desfavorável. Como consequência, espera-se um crescimento súbito de oferta de mão-de-obra que não será correspondido por igual crescimento na demanda.

Combinado com o elevado e persistente desemprego se encontra a alta taxa de informalidade. Esta, contabilizada por trabalhadores sem carteira assinada e conta própria, totaliza 38% da população ocupada (PO) no final de 2018. É o emprego informal que tem liderado em geração de vagas desde o início da retomada da atividade. Como exemplo, o total de trabalhadores por conta própria alcançou o patamar recorde de 23 milhões de pessoas no final de 2018, alta de 2,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

E a reforma trabalhista? Seus efeitos sobre o emprego somente serão sentidos no médio e longo prazo. Em estudo do FGV IBRE, desenvolvido por mim e pelo pesquisador Bruno Ottoni, estimamos os efeitos da reforma brasileira ao longo dos próximos anos. Foi utilizado o método econométrico de controle sintético, e tomado como estudo de caso dois países que implementaram reformas de flexibilização trabalhista similares à brasileira, como as Hartz Reform da Alemanha nos anos 2000 e a reforma australiana nos anos 90.

Sugerimos como resultado que a reforma brasileira, caso opere plenamente de facto em um ambiente sem questionamentos jurídicos, pode promover uma queda no desemprego estrutural no intervalo entre -3,46 p.p e -1,17 p.p. dentro do prazo de uma década. Ou seja, de uma taxa de desemprego estrutural brasileira situada, segundo analistas, ao redor de 9,0%, há potenciais de queda na taxa para 5,5%  no prazo de 12 anos, para o cenário mais otimista, e de 7,8%, de cenário menos otimista. Estas estimativas colocariam o Brasil ao redor da média de desemprego estrutural dos países da OCDE, de 7,0%. [1]

O estudo revela que há espaço para quedas mais consistentes no desemprego brasileiro no médio e longo prazo (8-12 anos), desde que mantido um entendimento favorável da jurisprudência aos pontos da reforma. Contudo, uma queda mais forte e imediata do desemprego no curto prazo (1-2 anos) dependerá da implementação de outras reformas estruturais, que destravem o crescimento da atividade e promovam um circulo virtuoso de investimentos e contratações, como as apresentadas no artigo da coluna anterior. Com isso, um cenário de mercado de trabalho mais favorável para os próximos anos também dependerá de um maior êxito para a aprovação destas medidas.


[1] Economic Outlook N.102 – Novembro 2017, OECD.Stat

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

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