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Que Mel Gibson nos ajude

13.05.2022 02:59

Eu nunca fui muito fã de filmes de fim do mundo, apocalipse, tragédia global etc. Essa sensação de que o fim está próximo, que algum colapso vai engolir a sociedade, que o estado do Rio de Janeiro vai virar Mad Max, nunca foi muito a minha praia para entretenimento.

Mas aí, resolvi ler o relatório mais recente do Tesouro Nacional sobre a capacidade de pagamento dos estados. Só conseguia pensar naquela cena de 2012 em que o Cristo Redentor desaba em ruínas no meio do fim do mundo.

O RJ tem literalmente a pior avaliação possível do Brasil em Capacidade de Pagamento (Capag): a famigerada nota D. Ou seja, ninguém nunca perguntou, mas talvez o Tesouro Nacional preferisse jogar todas as suas economias num caça-níquel clandestino da Lapa do que emprestar dinheiro para o estado fluminense. Afinal, dá pra dizer que a chance de ter o dinheiro de volta no primeiro caso é muito maior.

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Para não ser tão injusto, estamos tecnicamente empatados com dois outros grandes estados que também tiveram nota D: Rio Grande do Sul e Minas Gerais. O grande problema é que, ao contrário de nossos co-irmãos federativos, nossa proporção dívida/receita é de 325%. Isso significa que o que a gente tem que pagar todo ano é mais do que o triplo do que somos capazes de arrecadar economicamente. E é um índice muito acima do que os já altíssimos 223% dos gaúchos; e dos 200% dos mineiros.

Tudo isso, em um cenário onde não acompanhamos grandes movimentos para reformas estaduais aqui no RJ. A Previdência pública continua engolindo uma parcela enorme do orçamento, gastos de procedência duvidosa continuam sendo realidade – com direito a festinha particular do governador -, empresas “estratégicas” continuam recebendo isenções fiscais milionárias (e o fato de estarmos em pleno ano eleitoral pode ser só uma grande coincidência. Quem sabe?)…

O RJ caminha para um estado de insolvência de proporções apocalípticas. Cenário digno de qualquer filme do Roland Emmerich. Talvez com menos neve do que O Dia Depois de Amanhã, e um pouco menos global do que no filme 2012. Mas vocês pegaram o contexto.

Que Mel Gibson nos ajude…