Nosso dia D – Colunas – Boletim da Liberdade
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Nosso dia D

26.04.2022 10:07

No dia 06 de junho de 1944 os soldados que desembarcaram na Normandia não tinham ideia de que aquela ação mudaria o curso da Guerra e, portanto, da História. O final da 2ª Guerra Mundial veio apenas, oficialmente, em setembro do ano seguinte, com a rendição nipônica, após uma tragédia atômica que vitimou milhares de japoneses. No meio deste caminho, o Leão inglês Churchill, em 08 de maio de 1945, fez um dos pronunciamentos mais emblemáticos deste terrível período da história humana. Num memorável dia que ficou conhecido como o Dia da Vitoria na Europa, o 1º Ministro saudou um mar de pessoas aglomeradas em frente ao Palácio de Buckingham e celebrou a rendição de Alemanha nazista, que capitulava às forças aliadas.

Naquele momento o grande orador chamava a atenção para uma vitória que pertencia a todos. Não a um grupo político ou a uma determinada classe, mas à nação. Enalteceu a luta daqueles que em todas as terras lutaram pela causa da liberdade, com suas vidas. Em sua fala fez questão de agradecer a “todos, homem ou mulher, que fizeram o seu melhor”, ressaltando que em toda a longa história britânica nunca havia ocorrido um dia como aquele, tamanha sua importância.

O tempo pandêmico em que vivemos, por diversas vezes, foi comparado a um momento bélico, de luta, de guerra. O vírus nos levou milhões de pessoas mundo a fora e milhares aqui em terra brasilis. Não houve um só brasileiro que não tenha tido notícia de um conhecido ao menos que tenha tombado nesta batalha que há dois anos nos aflige. Mas assim como os britânicos, nosso povo não se enfraqueceu um só momento pelos ataques do inimigo invisível. Ao contrário, nos unimos, nos ajudamos, reverenciamos nosso sistema universal de saúde que nos poupou da barbárie e não permitiu, com seus soldados de branco, que um único compatriota padecesse sem assistência, sem um leito, sem um cuidado.

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Neste último dia 17 de abril também experimentamos nosso dia D, nosso Dia da Vitória Brasileira, ao ouvirmos por cadeia de rádio e televisão o pronunciamento da autoridade sanitária máxima do país que nos trouxe a boa nova de que o pior havia sido superado e a tempestade havia ficado pra trás. Ao anunciar no simbólico Domingo de Páscoa o fim da Emergência Sanitária de Importância Nacional decretada em virtude do ataque do COVID 19, o Ministro de Estado da Saúde nos anunciou que juntos, como nação, havíamos vencido.

Assim como o 06 de junho de 44 e o 08 de maio de 45 não selaram, na prática, o fim do conflito, o nosso 17 de abril também demorará um tempo para se consolidar de modo pleno. Infelizmente, ainda neste momento, perdemos brasileiros vítimas desta mazela. Lamentavelmente, o inimigo seguirá entre nós e, por mais que o tenhamos combatido, ainda nos causará perdas. Mas nada próximo do que foi o 1º semestre de 2021, em que vivenciamos durante semanas nossa Pearl Harbor e nossa Hiroshima, com média de 4 mil mortes diárias em virtude do vírus.

Nem sempre percebemos a História sendo feita porque no tempo presente ela se disfarça de rotina. Mas assim como no dia 08 de maio os britânicos foram às ruas se abraçarem para comemorar um feito que, embora não fosse ainda o fim da Guerra em todos os campos de batalha, era uma sinalização inequívoca de que o triunfo integral era questão de tempo, nós brasileiros podemos ter a sensação, doravante, que o triunfo final da saúde pública nacional contra o vírus se avizinha a passos largos.

No entanto, inimigos da liberdade que ameaçaram o mundo democrático durante a 2ª Grande Guerra, embora derrotados, não foram eliminados. Seguem aí nos “infectando”, à despeito de nossa luta. Assim como um vírus, essa sanha anti-liberdade muta, a fim de enganar nosso sistema imunológico social. E, embora comemorado o dia da Vitória do mundo livre em 1945, a História nos mostrou que a tirania prosperou em boa parte do mundo que se dizia aliado da liberdade, sob a mutação de um discurso que prometia igualdade.

Portanto, sigamos vigilantes. O vírus, por ora controlado, em breve será derrotado. Mas nunca eliminado. As conquistas por nós alcançadas como sociedade ficarão como legado. A dor da perda e a angústia causada pela impotência do passado recente não podem ser em vão. Que nos sirva de motor para a defesa daquilo que nos é caro: nossas vidas, nosso povo, nossa democracia, nossa liberdade, e o nosso SUS.

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Saibamos que a vitória desta importante batalha não nos dá ainda a guerra por encerrada. Fiquemos alerta pois, embora domado, o inimigo seguirá entre nós. Lembremo-nos que embora o mar aponte para uma calmaria, outras tantas tempestades sempre virão. Mas não nos esqueçamos, nunca, de sairmos às ruas, com a alma leve e lavada, tal qual saíram os londrinos naquela tarde de 08 de maio de 1945. Não percamos o sabor precioso da batalha vencida. E ignoremos os que querem desacreditar a História, ainda que ela se apresente aos seus olhos de modo indefectível. “Esta é a sua vitória”!, disse o inquilino do número 10 da Downing Street em 1945 ao seu povo. Que a mesma frase chegue ao coração de cada um dos brasileiros neste abril de 2022…