Falta bom senso nas críticas à Bolsonaro – Colunas – Boletim da Liberdade

Falta bom senso nas críticas à Bolsonaro

23.06.2021 02:26

Nos últimos tempos, assistimos alguns integrantes de grupos ligados ao espectro político da chamada direita, a se destacar membros do Movimento Brasil Livre e do Partido Novo, realizando uma oposição sistemática ao Governo Federal comandado por Jair Bolsonaro, argumentando que o atual presidente teria cometido estelionato eleitoral com suas promessas de campanha. Na avaliação deles, não haveria compromisso por parte da administração federal com pautas como a liberalização econômica do país, o combate à corrupção, além da aproximação com partidos de centro.

Analisando a postura tomada por lideranças como o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) e de João Amoêdo, “proprietário” do Partido Novo, entende-se que há uma busca de reposicionamento político de ambos, querendo se colocar como uma alternativa de uma chamada “terceira via”, que combateria tanto Bolsonaro, tanto políticos de esquerda como Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL). Mas a política praticada por ambos assusta pela falta de bom senso e pela histeria em suas declarações.

Para fins de exemplo, no início do governo, Bolsonaro era criticado pelo próprio Kim Kataguiri pela falta de uma base de sustentação na Câmara e no Senado; no momento em que partidos como Republicanos, PL, PP, PTB e PSD passaram a integrar a base aliada do Governo a partir de 2020, começou-se a bradar aos quatro ventos que “Bolsonaro havia se vendido ao centrão”, ignorando as próprias declarações realizadas anteriormente, inclusive em programas de televisão como o “Conversa com Bial” da TV Globo, onde o parlamentar paulista deu nota oito para a condução de Rodrigo Maia (DEM-RJ, hoje sem partido) à frente da Câmara dos Deputados.



Outro ponto que gera bastante discussão de maneira incorreta é a de que Jair Bolsonaro não teria compromisso com a liberalização econômica nacional, em uma tentativa de se igualar o militar da reserva ao petista Lula, no que é chamado de “bolsopetismo”. Todavia, é no governo Bolsonaro que pela primeira vez desde o Plano Real, liberais ocupam postos de comando no país, colaborando significativamente na aprovação de pautas como a autonomia do Banco Central, as concessões na área de infraestrutura, a reforma da Previdência, a Lei de Liberdade Econômica, a abertura do mercado aéreo no Brasil, o marco geral do Saneamento e as privatizações de Eletrobrás e Correios, além de desenhar a tramitação das reformas tributária e administrativa.

Além deste ponto, atacam o Governo pela suposta omissão no combate à pandemia causada pelo novo coronavírus, enquanto omitem que diversos governadores e prefeitos fizeram mau uso dos recursos enviados pelo Planalto para combater a pandemia, como casos de corrupção que levaram Wilson Witzel ao impeachment no Rio de Janeiro e com o uso dos recursos da área de saúde para pagamento de folha de pessoal, caso praticado por Eduardo Leite no Rio Grande do Sul e apontado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Vale ressaltar que, por meio de ação apresentada pelo PDT e relatada por Marco Aurélio Mello, o Governo Federal ficou restrito ao envio de insumos e recursos no auge dos lockdowns. Outro ponto dito polêmico relacionado às vacinas, o governo brasileiro ingressou em agosto do ano passado no consórcio realizado entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca por meio de abertura de crédito suplementar aprovado por todos os parlamentares em condições benéficas ao Brasil, com a transferência de tecnologias que permitem que atualmente o nosso país produza vacinas sem depender de insumos estrangeiros.

Jair Bolsonaro não é e não será o Dom Sebastião que salvará o Brasil. Mas seu Governo tem diversas virtudes que não encontrávamos em outras gestões presidenciais. Desde a sua posse, não foram vistos casos de corrupção envolvendo o Executivo Federal, diferente do que assistíamos quase diariamente nos governos de Lula e Dilma. A existência de uma oposição é necessária para garantir o sistema de freios e contrapesos que fortalece o processo democrático. Mas esta posição tem que ser realizada com responsabilidade, como no caso liberais votarem junto com as esquerdas na privatização da Eletrobrás.

Tentar vender que o Governo Bolsonaro é um governo totalmente errático e que precisa ser derrubado a qualquer custo é uma posição totalmente egoísta. Há espaço na política para todos, mas para alguns que desejam alcançar o poder vale a pena usar de métodos cada vez mais parecidos com os jacobinos franceses.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil