RenovaBR, Novo e desempenho eleitoral – Colunas – Boletim da Liberdade

RenovaBR, Novo e desempenho eleitoral

02.06.2021 11:24

A eleição de 2018 foi marcada pela ascensão e eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República com uma plataforma liberal-conservadora. Além disto, o pleito de três anos atrás mostrou o nascimento de duas plataformas políticas, os chamados movimentos de renovação política como RenovaBR, Agora!, RAPS e Acredito, assim como o desempenho eleitoral surpreendente do NOVO, elegendo Romeu Zema como Governador de Minas Gerais e garantindo uma bancada de oito Deputados na Câmara dos Deputados, superando partidos já consolidados como o Cidadania (antigo PPS), PCdoB e PV e estando próximos em número de Deputados dos partidos médios como PSC, PTB, Podemos e PSOL.

Todavia, a eleição de 2022 reserva um cenário nada animador para os movimentos de renovação política e para o próprio NOVO. Em 2018, diversos parlamentares eleitos com apoio de movimentos como RenovaBR, Agora!, RAPS e Acredito foram eleitos por legendas de esquerda como PDT e PSB, caso dos Deputados Federais Felipe Rigoni (Espírito Santo) e Rodrigo Coelho (Santa Catarina), eleitos pelo PSB e Tábata Amaral (São Paulo), eleita pelo PDT. Enquanto apoiavam pautas de oposição ao Governo Bolsonaro, os parlamentares eram aplaudidos pelos setores mais socialistas da sociedade, todavia ao se posicionarem favoráveis a medidas do Governo, como a Reforma da Previdência, passaram a sofrer perseguições dos líderes partidários como Carlos Siqueira, Presidente nacional do PSB e Carlos Lupi, Presidente nacional do PDT.



Na última semana, o TSE autorizou a desfiliação por justa causa de Rigoni e Coelho do PSB e de Tábata do PDT, com a alegação que os partidos deveriam seguir o acordo realizado com as plataformas durante a campanha de 2018. Mas o que se apresenta com esta situação é que fica perceptível o cenário político nacional, onde a tentativa de se criar uma esquerda com os moldes sociais-democratas europeus, com a defesa de pensamentos como responsabilidade fiscal e com certa liberdade econômica fica restrita apenas a duas legendas partidárias que poderão receber os três parlamentares: o Cidadania, antigo PPS e herdeiro histórico do antigo Partido Comunista Brasileiro e o próprio NOVO, que vem adotando uma linha de pensamento mais próxima da chamada esquerda libertária. No Brasil atual, os partidos de esquerda continuam presos a uma mistura entre culto à personalidade, marxismo soviético e socioconstrutivismo.

Já o NOVO vem vivendo uma enorme crise de identidade nos últimos tempos. Sua principal figura pública, o presidenciável de 2018 João Amoêdo vem se tornando oposicionista de Jair Bolsonaro e procurando levar a legenda para a oposição ao Governo Federal; todavia, esta leitura política poderá levar o NOVO a um sério risco de não obter sucesso para o alcance da cláusula de desempenho eleitoral, que é de 2% dos votos nacionais e 2% dos votos em nove estados diferentes nas eleições de 2022. Muitos dos eleitores antigos da legenda também são apoiadores da atual gestão Federal e vem deixando manifesta a sua discordância nas redes sociais, com alguns destes sendo punidos pelo NOVO, como nos casos do Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e do então candidato à Prefeitura de São Paulo Filipe Sabará.

“Fica perceptível o cenário político nacional, onde a tentativa de se criar uma esquerda com os moldes sociais-democratas europeus, com a defesa de pensamentos como responsabilidade fiscal e com certa liberdade econômica fica restrita apenas a duas legendas partidárias que poderão receber os três parlamentares”

Nas eleições de 2020 o NOVO, além de Solidariedade, Avante, PROS, PCdoB, PRTB, PV, REDE, DC, PTC, PMN, PMB (atual Brasil 35), PSTU, UP, PCO e PCB não teriam atingido a meta estabelecida pela legislação. Além destes, PSOL, PSC e Patriota estariam próximos do grupo que não atingiria a cláusula de desempenho. Como consequência de se não atingir o desempenho eleitoral estabelecido na legislação, os partidos ficam impedidos de ter direito ao horário eleitoral, a convite para debates eleitorais se o candidato estiver com menos de 5% nas intenções de voto, além dos parlamentares eleitos poderem trocar de partido de maneira livre, sem necessidade de respeito a fidelidade partidária.

Em um cenário onde dois pólos se acirram cada vez mais, tanto ao lado conservador com Jair Bolsonaro, tanto com a esquerda por meio de figuras como Lula e Ciro Gomes, a tentativa de se apresentar como uma terceira via pode simplesmente inviabilizar os movimentos de renovação política e o NOVO politicamente, levando-os a uma derrota que já se apresenta por meio do desempenho eleitoral de 2020 e por escolhas erradas de posicionamento. O pleito de 2022 ainda está longe e pode acontecer mudanças de cenário até mesmo pela volatilidade existente na política, mas correções de rota se mostram cada vez mais necessárias em nome de um debate político sadio no Brasil.


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil