Carta aberta a J.R. Guzzo - Coluna da Mafê - Boletim da Liberdade

Carta aberta a J.R. Guzzo

25.03.2020 02:53

Caro J. R. Guzzo,

Seu texto de 24/03 para o Metrópoles é de uma superficialidade, irresponsabilidade e eugenia social sem precedentes já vista no jornalismo oficial neste momento.

O “lockdown” está sendo realizado na Alemanha, na Itália, na Espanha, no Reino Unido, além de outros países europeus, inclusive com aplicação de força policial.

Apenas a Rússia não está realizando o “lockdown” pois em fevereiro deste ano baniu qualquer chinês de entrar no país e depois, no início de março, proibiu qualquer pessoa que não fosse cidadão russo de entrar no país. Em metáfora, podemos dizer que a Rússia se antecipou em um “lockdown internacional” e só por isso estão levando vida normal no ambiente doméstico.


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Nos EUA, tanto Trump quanto seus filhos, os quais tem certa participação e liderança política no governo do pai, estão orientando que os cidadãos fiquem em casa

Nos EUA, tanto Trump quanto seus filhos, os quais tem certa participação e liderança política no governo do pai, estão orientando que os cidadãos fiquem em casa, para que a doença não se espalhe, como todos estão vendo que se espalhou pela Europa.

Aqui no Brasil, ao contrário das medidas que demais lideranças mundiais estão adotando, o presidente continua negando a existência e ameaça de uma doença, declarada oficialmente pela Organização Mundial de Saúde se tratar de uma Pandemia.  Mas não, está o mundo inteiro errado e o “ungido” Bolsonaro é quem está certo?

Permitir que estabelecimentos não essenciais funcionem neste momento é permitir que um extermínio em massa aconteça, principalmente da camada mais pobre da população, a qual a gente sabe que sofrerá as maiores consequências com o colapso da saúde.

“Ah, mas se a economia parar, o pobre sofrerá também!”. Só se o presidente da República, deputados, senadores e o judiciário permitirem. O funcionalismo público no Brasil custa algo em torno de R$ 750 bilhões, correspondendo a 10,5% do PIB nacional (Fonte: Ipea).

O “cotão” dos deputados e os benefícios dos juízes – que já recebem salários muito acima da média – poderiam ser direcionados de forma inteligente para ações e pacotes que garantissem a contenção na velocidade de propagação do vírus, mantendo ao menos a economia girando, timidamente sim, mas sem precisar parar totalmente. Ou como talvez os EUA estão fazendo, poderiam votar e liberar ajudas de custo diretas para cidadãos brasileiros e pequenas empresas.

O que o governador João Dória (PSDB) está fazendo é se prevenir quanto a uma catástrofe e garantir que o sistema de saúde no estado não colapse, pois a doença, meu caro Guzzo, não olha pro bolso de ninguém, não olha pra cor de ninguém e nem pro sexo de ninguém. Se adiantar no “lockdown” e montagem dos hospitais de campana só demonstra que o governador do maior estado do país, o estado que paga as contas do Governo Federal e dessa máquina pública falada anteriormente, está agindo com prudência e respeito à vida dos paulistas.

A economia no estado de São Paulo teve crescimento do PIB de 2,8% em 2019 (Fonte: Banco Central), crescimento maior que o triplo da média nacional. Em torno de 185 mil novos empregos foram gerados, praticamente um terço do total gerado em todo o país. O que Doria e sua equipe estão garantindo é que o país não entre em colapso no longo prazo, pois deixa eu te contar uma novidade Guzzo: se as pessoas ficam doentes e morrem, não há força de trabalho para produzir, não há famílias para consumir, não há nem economia pra você criticar a existência de eventuais “lockdowns” necessários.

Guzzo, meu caro, falar neste momento pensando apenas no curto prazo de 3 meses é defender a morte de cidadãos brasileiros e da economia nacional como um todo. Os governadores responsáveis da Federação estão agindo certo, estão pensando no longo prazo, estão adotando medidas que nos fazem sofrer agora mas garantem que não sofreremos pelos próximos 30 anos em grande depressão, com carência de força de trabalho e consumo.

No mais, meu caro, amanhã pode ser você que precisará de um leito e cuidados, dada sua posição em grupo de risco. Acredite, saudável e vivo, você agradecerá aos governadores.

Fica em casa, vá ler um livro e pare de escrever asneiras delirantes sem fundamento científico, sociológico ou econômico de defesa argumentativa.

Atenciosamente,

Maria Fernanda

Foto: Reprodução/Metrópoles


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