Em tempos de dissenso, nasce a ‘Convergência’: movimento que busca a renovação contra a velha política

Em entrevista exclusiva ao Boletim da Liberdade, o economista Daniel Duque, que está coordenando o programa de pautas em comum do movimento, explica a iniciativa e os objetivos do grupo

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O economista Daniel Duque, um dos coordenadores do Convergência (Foto: Reprodução/Medium)

O economista carioca Daniel Duque, uma das principais lideranças do PSL/Livres do Rio de Janeiro, já tem o seu alvo para 2018. Não são, no entanto, movimentos que não comunguem com a cartilha liberal. O objetivo é derrubar, primeiramente, a velha política que, no Rio, foi capaz de em poucos anos levar seu estado novamente à bancarrota e a uma crise ética e de confiança generalizada, onde as principais lideranças políticas estão sob suspeita de corrupção.

Duque, que também é colunista do Instituto Mercado Popular e cursa mestrado de economia na UFRJ, hoje dedica-se ao movimento “Convergência para a Renovação Política”, ou apenas “Convergência”, organização que ambiciona  “criar uma rede de empreendedores cívicos, sociais e políticos” e “conectar os mais diversos movimentos de renovação política”. A essência da iniciativa, porém, é que não adianta buscar o debate de ideias se do outro lado ainda estiver a velha política fisiológica e cheia de vícios. “A discussão ideológica deve vir após termos certeza que estamos discutindo com quem merece estar nas casas legislativas e executivas dos governos municipal, estadual e federal”, explica.

“Somente com a união de lideranças que se importam verdadeiramente com o bem público e respeitam os princípios éticos da política nós poderemos ter alguma chance de furar o atual sistema eleitoral”, defende o economista.

Reunião de entusiastas do movimento Convergência (Foto: Reprodução/Facebook)

Nascido como um movimento fluminense, a ideia do “Convergência” já ultrapassou as fronteiras e hoje conta também com núcleos em São Paulo e no Espírito Santo. O desafio, porém, é muito mais do que geográfico. E sim o de construir uma agenda em comum que seja capaz de congregar diversos quadros políticos, alguns dos quais com visões ideológicas bastante distintas. “A Convergência não tem como interesse ser sectária ou identificada como de direita ou de esquerda. Nosso objetivo é justamente agregar líderes de diferentes pensamentos em torno de uma mesma causa: a renovação política.”

Para os liberais que são mais adeptos à atuação clássica de “guerra política”, a iniciativa pode dar calafrios. No entanto, o “Convergência” já conta com quadros de apoiadores e simpatizantes relevantes até no movimento liberal. No Rio de Janeiro, explica Duque, além de ter o apoio de Paulo Gontijo (presidente do diretório estadual do PSL/Livres), a professora Carmen Migueles (primeira candidata a um cargo executivo pelo NOVO, entrevistada em abril pelo Boletim) também tem colaborado com a iniciativa. Entre os movimentos participantes até o momento, estão o “Acredito” (de Tabata Pontes), o “Renova BR”, o “Agora” e o “Vem Pra Rua”.

Confira abaixo na íntegra a entrevista que Daniel Duque concedeu ao Boletim da Liberdade na última terça-feira (7):

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Boletim da Liberdade: Quais são os objetivos do movimento?

Daniel Duque: O movimento tem como objetivo geral e permanente criar uma rede de empreendedores cívicos, sociais e políticos, ou seja, interligar diferentes pessoas que estão colocando a mão na massa para melhorar a vida das pessoas ao seu redor. Atualmente, temos como missão principal até 2018 conectar os mais diversos movimentos de renovação política, para criar uma cooperação e coordenação que possibilite de fato tirarmos os velhos políticos que se encontram no Congresso, na Assembleia Legislativa e no Palácio Guanabara.

Entendemos que há um conjunto de medidas políticas que podem salvar o Rio de Janeiro, que são consensuais entre os maiores especialistas em cada área, mas não são implementadas devido à permanência da velha política. Temos como missão, portanto, construir uma agenda comum com tais medidas para agregar os diferentes movimentos de renovação.

Daniel Duque e a especialista em segurança pública Ilona Szabó, diretora-executiva do Instituto Igarapé (Foto: Reprodução/Facebook)

Boletim da Liberdade: Quais são as pautas em comum que reúnem as diversas forças políticas do movimento?

Daniel Duque: Até agora, tivemos três eventos com especialistas, nos quais os submetemos às mais variadas perguntas e críticas de todos os espectros políticos. Estes foram: saúde, segurança e educação. Em todos eles, vemos uma grande falta de transparência dos dados públicos, baixíssima gestão da informação e ausência de cooperação entre os diferentes níveis – seja polícia militar e civil, secretaria de segurança e ministério da justiça, diretores hospitalares e médicos, assim como gestores escolares e professores. Essas três frentes devem ser atacadas simultaneamente, o que pode e deve ser feito sem aumento de gasto, até porque atualmente o Estado está praticamente sem recursos.

Boletim da Liberdade: Qual é a sua posição/cargo dentro do movimento?

Daniel Duque: Atualmente trabalho na coordenação e elaboração do programa convergente, ou seja, a agenda que vá agregando os movimentos. Também faço parte da articulação de procurar esses movimentos, além dos próprios especialistas para integrar a nossa equipe e participar de nossos eventos.

Entendemos que há um conjunto de medidas políticas que podem salvar o Rio de Janeiro, que são consensuais entre os maiores especialistas em cada área, mas não são implementadas devido à permanência da velha política. 

Boletim da Liberdade: Existem outras lideranças ligadas ao “movimento liberal” participando?

Daniel Duque: O movimento atualmente tem diversos apoiadores e simpatizantes. O coordenador geral do movimento, Walter Cavalcanti, é filiado ao Novo e faz parte do Conselho Consultivo do Livres RJ. Nossa última especialista chamada, que está ajudando a construir o programa de educação, foi a Carmen Migueles, candidata à prefeitura do Rio de Janeiro pelo Novo em 2016. Temos também Paulo Gontijo, atual presidente da executiva estadual do Livres no Rio de Janeiro.

Boletim da Liberdade: Existem socialistas participando?

Daniel Duque: Temos líderes de esquerda no movimento, seja como simpatizantes ou mesmo como apoiadores e colaboradores. Julia Cavalcanti, coordenadora do Virada Política, do qual participaremos no dia 11/11 agora (sábado), é uma que está nos ajudando a nos integrar com outros movimentos, assim como João Cury Mathias, professor de economia da UFRJ, que coordena nossas grupo de política, além de Tatiana Roque, ex presidente dos professores da UFRJ, que participa dos grupos de discussão.

A Convergência não tem como interesse ser sectária ou identificada como de direita ou de esquerda. Nosso objetivo é justamente agregar líderes de diferentes pensamentos em torno de uma mesma causa: a renovação política.


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Boletim da Liberdade: Atualmente, o Convergência tem atuação em quais regiões do país? Pretende ampliar?

Daniel Duque: A Convergência nasceu como um movimento fluminense, com o objetivo de mudar a realidade do nosso estado, que está na pior situação do país em termos de economia, política e ética. No entanto, atualmente já existem núcleos em outros estados, como São Paulo e Espírito Santo, que estamos tentando também fazer crescer.

Boletim da Liberdade: Por que buscar a convergência em vez da divergência, em momento de reafirmação liberal no Brasil?

Daniel Duque: Os liberais, enquanto, movimento, tratam-se de algumas centenas, talvez milhares de estudantes e empreendedores, com praticamente nenhuma penetração na política brasileira. Nós não temos ideia de quão poderosa e trituradora é a estrutura de poder montada pelos políticos tradicionais para que eles se mantenham no poder. Tenho certeza que Leandro Lyra, atual vereador pelo Novo, discorde ideologicamente em quase tudo com a bancada do PSOL na Câmara Municipal do Rio, mas por incrível que pareça eles acabam votando mais parecido do que com qualquer outra bancada ou partido, porque nenhum dos dois aceita entrar no balcão de negócios que é a casa legislativa carioca.

Somente com a união de lideranças que se importam verdadeiramente com o bem público e respeitam os princípios éticos da política nós poderemos ter alguma chance de furar o atual sistema eleitoral, que tira a grande maioria da população – inclusive os liberais – das decisões que concerne suas próprias vidas. A discussão ideológica deve vir após termos certeza que estamos discutindo com quem merece estar nas casas legislativas e executivas dos governos municipal, estadual e federal.

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