‘Privatizações são boas, mas sozinhas não resolvem todos os problemas’, diz consultor da FGV

Para Tiago Barreira, do Instituto Brasileiro de Economia, em entrevista exclusiva para o Boletim, é necessário também combater regulações

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(Foto: Reprodução / Facebook)

A equipe do presidente Michel Temer movimentou o debate em torno das privatizações ao divulgar um pacote de desestatizações e concessões para o país, envolvendo aeroportos e até a Casa da Moeda. Falou-se também na privatização da Eletrobrás. Como sempre, setores favoráveis a uma grande participação do estado reclamam e expressam preocupações que, muitas vezes, são compartilhadas por boa parcela da população.

O Boletim conversou com o graduado em Economia Tiago Barreira, consultor do Instituto Brasileiro de Economia, ligado à Fundação Getúlio Vargas, que também foi coordenador do Estudantes pela Liberdade. Embora a premissa geral seja notoriamente benéfica, a seu ver, Tiago tomou cuidado para frear otimismos exagerados: as privatizações são boas, mas não são uma panaceia para o Brasil e, se vierem isoladamente, podem trazer benefícios muito minimizados em relação ao seu potencial.

“O fundamento de toda empresa é o lucro. Acredito que por mais que o estado tente administrar de forma técnica e organizada uma empresa, se ela é orientada para fins políticos, que não sejam a finalidade do lucro, essa empresa vai ter problemas no futuro”, explica Barreira. “Eu não concordo, por exemplo, quando falam que a privatização da Eletrobrás é uma ameaça à segurança nacional energética.”


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Apesar disso, Barreira se recorda das privatizações do governo de Fernando Henrique Cardoso, em que o estado manteve o controle das ações das empresas. O risco de a privatização ser capturada pelos políticos e se afastar do modelo genuíno de uma empresa privada pode, portanto, permanecer. Não é só isso: “Mesmo que você privatize algumas empresas, o setor privado se encontra amarrado em investir. É um ambiente muito inibidor do investimento privado. Um exemplo disso é a questão trabalhista; é muito custoso empregar e demitir. Além de outras questões, como a alta carga tributária… Tudo isso acaba criando certa aversão e faz com que essas empresas, mesmo privatizadas, não sejam tão eficientes. Então”, ele conclui, “as privatizações são boas, mas elas sozinhas, não acompanhadas de outras reformas, não resolvem todos os problemas da economia brasileira”. Confira os áudios:

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