Caetano Veloso acusa MBL de pensamento autoritário e internautas reagem

O humorista Fabio Porchat também juntou-se na crítica do movimento “342 artes”

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Foto: Divulgação

Um conjunto de artistas, entre os quais o cantor e compositor baiano Caetano Veloso, decidiu abraçar o recém-criado movimento “342 artes” e acusar o MBL de promover a censura no país.

Em publicação no Facebook na última sexta-feira (6), Veloso escreveu que o “MBL e políticos mentirosos querem dizer o que pode e o que não pode”. E complementou afirmando que sabe “muito bem onde leva esse tipo de pensamento autoritário” e que não aceitará “ser difamado”.

A reação dos internautas, porém, não foi tão positiva. Dos três comentários mais curtidos até à publicação desta matéria, todos se posicionaram contra Veloso. O mais popular sustentou que a arte não é um território livre onde as leis não se aplicam, enquanto que o segundo isentou o MBL de responsabilidade. “É a população brasileira dizendo o que quer e o que não quer. Pedofilia, não queremos. Vilipêndio, não queremos. Pornografia financiada com dinheiro público, não queremos”, escreveu.  Houve também quem sugerisse um boicote à Caetano Veloso.


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A produtora Paula Lavigne (ex-mulher de Veloso) e o humorista Fabio Porchat foram outros que, com o mesmo texto, acusaram o MBL de censura. “Há um claro oportunismo no uso de uma linguagem combinada”, analisou Luciano Ayan, dono do blog Ceticismo Político. Ele, que escreve sobre estratégias da “guerra política”, afirmou que a ideia dos artistas é “fingir que foram difamados para lançar falsas acusações de crime”.

“O importante agora é desenvolver o pensamento de bloco, por parte da direita. Não importam mais as divergências táticas e até purismos – como sair dizendo, falsamente, que ‘MBL é composto de socialistas fabianos’. É preciso de união na luta contra o inimigo comum”, ponderou Ayan, sugerindo também esses ataques ao MBL “atingirão, por tabela, toda a direita, uma vez que utilizarão os precedentes jurídicos para proibir todo e qualquer brasileiro de criticar a exposição de crianças à pornografia e o uso da Lei Rouanet”.

Atividade política

Não é a primeira vez que Caetano Veloso engaja-se politicamente. Em 2016, ele apoiou o candidato Marcelo Freixo (PSOL) à prefeitura do Rio de Janeiro, além de já ter manifestado apoio à candidatura de Marina Silva à presidência da república.

Em entrevista ao programa “Pânico” na Rádio Jovem Pan em 2016, Lobão comentou o assunto e afirmou que Caetano Veloso, junto com poucos outros cantores do país, são “grandes coronéis”. “Eles mandam nas leis, nos lobbys, nos conchavos com emissoras”, comentou, sobre o setor musical no país. “Tem uma tese do Luiz Felipe Pondé que diz que essa hegemonia da MPB é, na verdade, ideológica. Por isso que os prêmios só vão para quem é para aquele clube”, acusou, complementando que existiram vários casos de perseguição contra artistas que “não coadunavam com a esquerda brasileira”.

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