Dono do Canal Quarto Poder anuncia linha de camisetas em entrevista ao Boletim

Jovem que criou canal no Youtube para divulgar ideias liberais e conservadoras em formato dinâmico contou tudo sobre seus projetos em entrevista exclusiva

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Matheus usando uma das camisetas de sua futura linha (Foto: Reprodução / Facebook)

A onda de questionamento no pensamento político brasileiro gerou um sem-número de páginas de formadores de opinião e sites para veicular posições liberais e conservadoras. Conversar com a realidade política contemporânea exigiria, porém, certa capacidade de inserção em diferentes linguagens. O jovem Matheus Sampaio, de 25 anos, entendeu essa necessidade e criou o canal “Quarto Poder” no Youtube.

Hoje com pouco mais de 4 mil seguidores, o canal apresenta uma identidade visual muito forte, calcada no verde e no amarelo, as principais cores da bandeira brasileira. As cores vivas denunciam o espírito jovial e dinâmico, calcado em artes que se movimentam rapidamente na tela, colocações breves e algumas até bem-humoradas. A semelhança com a bandeira expressa o interesse nas referências pátrias.

Em entrevista ao Boletim, Matheus contou a história desse projeto, para que cada formato de vídeo foi desenvolvido e divulgou sua nova iniciativa: uma linha de camisetas com frases ligadas a ícones liberais e conservadores, como Margaret Thatcher e Carlos Lacerda, que será comercializada em breve pelo próprio canal. Confira!

Boletim da Liberdade: Atualmente com mais de 4 mil seguidores, você criou o “Quarto Poder”, um canal de Youtube que se caracteriza pelo dinamismo e o colorido dos vídeos e o emprego de bordões e frases chamativas que se repetem. Tudo para divulgar ideias liberais e conservadoras. Como e quando você formou esse posicionamento político? Qual a sua trajetória pessoal até chegar a isso?

Matheus Sampaio: Desde criança eu já gostava de política. Conforme fui crescendo, como a maioria das pessoas, eu achava que para entender de política eu precisava assistir aos telejornais e ler os jornais de grande circulação. Aí eu costumo dizer que “veio a internet e me resgatou”. Foi aí então que eu furei o bloqueio da grande mídia e vi que tinha que percorrer um longo caminho de conhecimento. Hoje ainda me encontro no início desse caminho, e o canal é uma forma de compartilhar com as pessoas essa trajetória. Trocar informações, evoluir junto.  Tento compartilhar e transformar em uma linguagem fácil aquilo que estou aprendendo com outros formadores de opinião com mais bagagem. É um trabalho de decodificar e sintetizar aquilo que também estou aprendendo. Hoje acho que sou bem mais maduro do que quando criei o canal, e isso não faz dois anos. Tenho certeza de que tenho muito a progredir. Considero-me um conservador quase liberal clássico. Esse meu posicionamento tem influências na formação cristã que eu tive.

Boletim da Liberdade: O estilo dos vídeos, como dissemos, é bastante particular. Você teve alguma inspiração ou referência para produzí-los dessa maneira? Como a ideia surgiu e que carências na comunicação política você acha que esse estilo é capaz de suprir?

Matheus Sampaio: Eu procuro adotar uma linguagem mais leve e didática. Prender a atenção das pessoas para um assunto tão chato quanto política exige uma comunicação fácil e atraente. Eu gostava muito da maneira como eram feitos os vídeos do canal “Vamos Falar de História” e com certeza eles serviram de referência para o Quarto Poder. Nunca pensei em quais carências eu poderia preencher, mas acredito que o meu trabalho alcança um público que está começando a se interessar por política e tem sentido falta de opiniões mais reais, fora da bolha onde a grande mídia vive, porém sem extremismos.

Tento compartilhar e transformar em uma linguagem fácil aquilo que estou aprendendo com outros formadores de opinião com mais bagagem

Boletim da Liberdade: Você também apresenta referências nacionais e aprecia figuras como Carlos Lacerda. De onde surgiu o interesse por sintetizar biografias e que importância você acredita que isso tem para a formação da nova consciência pró-liberdade no país?

Matheus Sampaio: Burke já dizia que um povo que não conhece a sua história é um povo que está fadado a repeti-la. E também sabemos que palavras convencem, mas o exemplo arrasta. Baseado nisso, a gente chega à conclusão de que precisamos reconhecer e conhecer as referências positivas e negativas que tivemos na história. Por causa da falta de referências políticas atualmente, estamos partindo para a criminalização da política, e eu entendo que isso é um caminho perigoso. Temos sempre que lembrar exemplos de pessoas boas na política para que elas sirvam de referência para que as pessoas boas de hoje entrem na política, e nos impeçam de sermos governados por pessoas más, como previu Platão.

Boletim da Liberdade: Em seu canal, saltam aos olhos as gravações de duas entrevistas feitas com o advogado e professor Rodrigo Mezzomo, que hoje milita pelas candidaturas independentes e chegou a concorrer a deputado federal pelo PSDB. Qual é a sua ligação com ele e que lideranças políticas atuais você considera que te inspiram ou têm efetivamente algo a oferecer ao Brasil?

Matheus Sampaio: Conheci o Rodrigo Mezzomo por acaso na internet e logo me identifiquei com os ideais dele. Certamente para mim hoje ele é uma referência no cenário politico do Rio de Janeiro e do Brasil. Foi o Mezzomo quem me mostrou o “lacerdismo”. Ele é uma liderança atual que me inspira, assim como outras que acredito terem um futuro brilhante pela frente, como o Marcel van Hattem, o Paulo Eduardo Martins, Kim Kataguiri, entre outros. Não que eu seja ingrato de ignorar nomes como Ronaldo Caiado, Ana Amélia, Jair Bolsonaro, que foram nomes que trilharam um caminho nessa história recente do Brasil pós-redemocratização, e que pavimentaram a estrada por onde queremos seguir daqui para frente. Mas acredito que essa nova geração de conservadores e liberais no Brasil terá um papel fundamental para que o Brasil volte a ser um país livre e próspero.

Boletim da Liberdade: O canal apresenta também diferentes quadros, como vídeos com o objetivo de explicar objetivamente determinados conceitos, vídeos que trabalham com a realidade dos fatos do momento e comentários sobre livros. Como cada uma dessas diferentes modalidades foi concebida? Você pretende implementar outras?

Matheus Sampaio: O canal hoje é mais focado em análises de casos e cenários. Além disso eu tenho 3 quadros. O “Biblioteca QP” foi criado com a intenção de compartilhar com os inscritos a minha trajetória bibliográfica, que, é bom lembrar, está apenas iniciando. E nos quadros “Biografia QP” e “Espectro QP” eu comento sobre biografias e correntes ideológicas que os inscritos pedem para que sejam comentadas. Foram quadros criados para dar mais interatividade ao canal, e esclarecer dúvidas que a maioria das pessoas tem em relação a personagens históricos e conceitos de vertentes políticas. Eu pretendo implementar outros quadros. Um deles seria de esquetes rápidas de humor inspiradas no programa esportivo “De Sola” do Esporte Interativo. Outro seria de paródias, como o também canal esportivo Futparódias. Quero que política seja algo leve e fácil de se entender. Quero também fazer hangouts e ter parceiros fazendo o canal. Ser um canal de uma pessoa só nunca foi a proposta do Quarto Poder.

Uma das artes do canal, com seu verde e amarelo característicos (Foto: Reprodução / Facebook)

Boletim da Liberdade: O cenário político brasileiro, uma das matérias-primas do seu trabalho, está sofrendo constante turbulência. Como você enxerga o futuro próximo, particularmente as eleições de 2018? Qual sua avaliação do governo Temer e da postura de liberais e conservadores diante dele?

Matheus Sampaio: Enxergo um futuro difícil pela frente. Durante décadas o povo ignorou a política nacional o que gerou problemas graves e complexos de serem enfrentados. Precisamos saber que não há solução fácil. Precisamos encarar uma luta após a outra e aos poucos virar o jogo. Mas evoluímos. Hoje a polarização política que tomou o Brasil está aí para mostrar que já não existe um lado hegemônico e outro em silêncio. Política hoje não só se discute, como virou conversa de bar. Isso é extremamente positivo, e é o que me deixa otimista para 2018. Não espero ver uma grande renovação no congresso, mas espero ver um pessoal bastante qualificado entrando e começando a compor uma bancada pró-liberdade, o que me deixa um pouco menos preocupado com o resultado das eleições para o Executivo.

Em relação ao Temer, acho que ele tem dois objetivos claros: livrar o Brasil da falência mudando o mínimo possível da estrutura política e se livrar de condenações oriundas de crimes praticados por ele. O grande problema é que esses objetivos se chocam, principalmente porque o segundo atrapalha o primeiro. Eu avalio positivamente a postura de conservadores e liberais diante dele. Uns mais preocupados com a ética e outros com os riscos que sua queda geraria. Eu particularmente prefiro que ele fique até 2018 caso ele não se mostre, até lá, pior que um petista. Digo isso porque enxergo como provável a volta do PT ao poder em caso de eleições indiretas, ou diretas, caso o nosso STF rasgue (como sempre) a nossa constituição.

Boletim da Liberdade: Agradecemos pela entrevista e queremos saber: quais são os seus projetos para os próximos meses e que metas você tem para o Quarto Poder?

Matheus Sampaio: Minha primeira meta é conseguir me dedicar mais ao canal. Em paralelo a isso começar um trabalho de conscientização local na minha cidade (Duque de Caxias). Espero também trazer mais gente para o Quarto Poder, para que o canal tenha vida além de mim. Mas o projeto a que estou me dedicando no momento é a linha de camisetas que estou lançando, e espero que a galera curta bastante e as compre porque as estampas são bem legais.

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