Vencendo as eleições de um DCE disputado, por Pedro Duarte

O Boletim da Liberdade convida toda semana uma liderança do ecossistema pró-liberdade para compartilhar, em forma de artigo, aprendizados e experiências que possam ser interessantes e úteis

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Foto: Editoria de Arte

PEDRO DUARTE*

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Um ditado popular simples, mas que resume muito bem a minha trajetória pessoal no movimento estudantil na PUC-Rio. Montei uma chapa para disputar o Centro Acadêmico do curso de Direito quando calouro…. derrotada. Depois organizei outra, com um modelo diferente, que veio a perder mais duas eleições consecutivas. Depois, sob a liderança de amigos próximos, enfim alcançamos uma vitória para o Centro Acadêmico do Direito. Furamos o bloqueio.

Foi a partir desse trabalho que avançamos. Partindo do Direito, que seria um swing state (em função do seu eleitorado heterogêneo), reunimos lideranças de variados cursos (principalmente aqueles que possuíam maior afinidade com as nossas pautas, como Engenharia, Administração e Economia) para organizar nossa chapa para a principal eleição do calendário da universidade: a do Diretório Central dos Estudantes, que estava sob o comando da mesma chapa – ligada ao PT – há 6 anos. Por, aproximadamente, 1400 a 1100 votos, vencemos! E a principal questão que fica é… como?

Bom, a ampla maioria dos integrantes da nossa chapa se identificavam com o liberalismo, em suas diferentes correntes. No entanto, o quão relevante é isso para a gestão de um DCE? Há como aplicar alguma redução da regulação ou dos “impostos”? Defender a abolição do Banco Central ou a abertura ao comércio exterior? Isso é absolutamente indiferente ao alunato. Valer-se da gestão para defender retoricamente essas pautas também de nada adiantaria, apenas nos colocaria no mesmo patamar da média (medíocre) do movimento estudantil brasileiro: gestões que muito se preocupam com pautas nacionais (vide “Fora Temer”), mas que muito pouco – no geral, nada – fazem pelos alunos que deveriam representar. Nós não, nós faríamos diferente.

Focaríamos na eficiência, na transparência (prestação de contas!) e na defesa da pluralidade no ambiente universitário. Defenderíamos pautas que impactariam diretamente os alunos da universidade, como o apoio ao (i) empreendedorismo, a (ii) organização de um denso calendário acadêmico (com palestras, seminários e debates) e a (iii) reforma do espaço físico do DCE, para que servisse diariamente ao uso de todos. Na campanha, avançamos defendendo esses valores e criticando o intenso uso político que fora praticado pelas últimas gestões. Felizmente, os alunos começaram a prestar atenção no que dizíamos, e nos viam cada vez mais como uma alternativa à inoperância – que já consideravam, inclusive, como a regra.

Durante a sua gestão no DCE da PUC-Rio, a entidade foi batizada de “Raul Amaro” e recebeu uma Medalha Pedro Ernesto, a mais alta honraria concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução / Facebook)

Da mesma maneira, não nos interessava cair no debate raso do direita x esquerda, liberais x socialistas, PT x PSDB ou qualquer coisa do gênero. Estávamos ali para debater nossas propostas, nossas ideias. Além disso, seguíamos um modelo de responsabilidades (que eles chamariam de vertical) na condução da gestão, em oposição ao modelo supostamente horizontal (que nós chamamos de irresponsável, já que ninguém é diretamente responsável por nada) que é predominante nessas gestões de Diretório. Assumir a função de Presidente – o que fiz ao longo de 2015 e parte de 2016, reeleito – ou Diretor não é uma questão de vaidade ou alguma vontade de dar ordens (até porque, num grupo de voluntários, isso não existe): é assumir responsabilidades e centralizar cobranças.

Essa química nos rendeu um resultado muito expressivo, permitindo que a nossa chapa – Muda DCE – fosse reeleita com ampla maioria dos votos, no final de 2015: vencemos por 1660 x 666. Vitórias como essa vêm se multiplicando no movimento estudantil, e tenho a certeza de que temos todo o potencial possível para acelerar esse processo. O monopólio da virtude da esquerda acabou, e do movimento estudantil está por vir.

PEDRO DUARTE é bacharel em direito pela PUC-Rio e ex-presidente do DCE da mesma universidade. Atualmente, trabalha como assessor parlamentar e uma das lideranças do Renova PSDB, corrente que busca renovar o partido no Rio. Foi convidado a escrever esse artigo de opinião para o Boletim da Liberdade.

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