Protagonista de novela das seis da Rede Globo faz crítica à Revolução Francesa

O personagem protagonista da trama, Joaquim, apresentou o argumento tipicamente conservador do receio de revoluções colocarem tiranos no poder

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(Foto: Reprodução / Mundo novelas)
(Foto: Reprodução / Mundo novelas)

A Rede Globo costuma ser criticada por grupos de diferentes posições políticas dentro do ecossistema pró-liberdade sob o argumento de veicular conteúdo ligado a agendas consideradas “de esquerda”. Curiosamente, a novela exibida às 18h, “Novo Mundo”, veiculou uma crítica à Revolução Francesa, com argumentos similares aos que são usados por muitos conservadores.

A trama é livremente baseada no processo de independência do Brasil, no começo da década de 1820. No capítulo do último sábado, dia 22, o personagem José Bonifácio (o próprio Patriarca da Independência, interpretado por Felipe Camargo) se estapeou com o personagem Peter (Caco Ciocler) por discordar da convocação imediata de uma Assembleia Constituinte para o Brasil, então ainda um Reino Unido a Portugal.

No capítulo desta segunda-feira, o personagem Peter conversou com o personagem Joaquim (Chay Suede), que é o personagem principal da novela, e disse que Bonifácio “é um déspota”. Na tentativa de reconciliá-los, Joaquim respondeu: “Peter, tente se colocar no lugar dele. Bonifácio esteve na Europa durante a Revolução Francesa, viu muitas pessoas morrerem, viu cabeças rolando… A Revolução matou muita gente, e do que adiantou? Eles não conseguiram aprovar uma Constituição e colocaram no poder simplesmente Napoleão Bonaparte, um governante tão cruel quanto os que a Revolução derrubou. Talvez Bonifácio tenha medo que algo assim aconteça no Brasil: que o poder vá parar na mão de alguém que destrua o país de uma vez”.

O argumento foi usado pelo protagonista. Portanto, a intenção não foi apresentá-lo como um discurso ridículo ou de vilania. Confira o diálogo no link.

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