Brizola queria transformar a Turma da Mônica em ‘defensores do proletariado’

Informação surpreendente foi revelada pelo quadrinista Mauricio de Sousa, criador dos icônicos personagens, na sua autobiografia recém-lançada

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(Foto: Reprodução / Omelete)
(Foto: Reprodução / Omelete)

Todo brasileiro já ouviu falar na dentuça de roupa vermelha que vivia batendo nos outros com seu coelho azul, e no menino que falava errado e tinha a grande ambição de ser o dono da rua. Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão e muitos outros personagens povoaram a infância de muita gente nos quadrinhos e animações da Turma da Mônica. Você sabia que esse universo infantil podia ter sido transformado em peça de propaganda das ideias de Leonel Brizola (1922-2004)?

A informação, repercutida em reportagem da Zero Hora, está no livro “Mauricio: A História que Não Está no Gibi”, uma biografia escrita pelo próprio quadrinista e inventor dos personagens que encantaram gerações, contando os desafios que enfrentou para alcançar o sucesso.

O que pouca gente sabe é que Mauricio foi convidado para integrar uma cooperativa de desenhistas brasileiros em Porto Alegre em 1961 – portanto, quando o brizolismo assumia ares ativistas e entusiasmados e o cunhado de Brizola, João Goulart, assumia a presidência da República, de onde seria derrubado em 1964.


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Brizola, segundo Mauricio de Sousa, era o autor do convite. Porém, ele fez uma exigência: os personagens teriam que ser adaptados e transformados em “defensores do proletariado”. O Cebolinha, por exemplo, desistiria de dominar a rua, porque ele não teria nenhum interesse em tomar uma “propriedade privada”; personalidades tão exóticas quanto a comilona Magali e o sujinho Cascão tendo que ser padronizadas às exigências socialistas; o caipira Chico Bento transformado em um guerrilheiro rural… E o Do Contra, personagem que sempre dizia e fazia o contrário dos seus amigos, seria transformado em um militante trabalhista.

Imaginou? Pelo visto, Mauricio de Sousa também imaginou, e não gostou nem um pouco. Ele afirma não ser “de direita nem de esquerda” e ter desistido na hora. Segundo a reportagem, Mauricio de Sousa ainda disse que “ele poderia quebrar o braço ou a mão”, e “de um jeito que você não vai conseguir desenhar nunca mais”.

Mauricio não se deixou intimidar, e escreveu ainda: “No futuro, sobretudo a partir de 1964, os críticos diriam que os personagens da turminha eram alienados, que o mundo podia cair que eles não assumiriam posições. Eles são crianças, não fantoches ideológicos”. Não quer dizer que o criador da Turma da Mônica fosse liberal: a mesma reportagem diz que nos anos 60 ele militou pela reserva de mercado para o quadrinho nacional.

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